Cantou a luta, o protesto e o desalento...
Mas para nós, as miúdas dos anos 80, ele foi o nosso John Lennon e os Trovante os nossos Beatles. Quando o Represas cantava canções de amor havia um arrepio coletivo no feminino e ia dos 15 aos 25. Os nossos rapazes não escondiam uma pontinha de ciúme e embora nos dessem a mão e até um beijo, não entoavam com tanto entusiasmo como nós as canções. Sabíamos várias de cor e os concertos dos Trovante foram a primeira grande festa, a vontade de estar quanto mais perto do palco melhor pois eram todos lindos, mas um deles, com aquela voz meiga, era o mais lindo. Desfiz-me algumas vezes da minha timidez para entoar a preceito, certa de que no coro das amigas, mal se ouviria o tom fora de tom.
Tudo isto se passou antes dos mil festivais que há agora e da respetiva banalização das vestimentas a levar e das pulseirinhas, antes dos bilhetes serem escandalosamente caros.
E dentro do possível o Luís Represas soube reinventar-se, não perdeu o sorriso, não azedou. Mas tudo já tinha mudado e eu também, por isso não fui aos últimos concertos, não percebi que provavelmente eram uma despedida. Saudosismo também não é o meu forte.
Finalmente alguém disse que morreu de cancro e não de doença prolongada, um termo que detesto, até porque o cancro pode ser fulminante.
O sentimento matinal foi igual ao da canção (Sorriso) que mais amo dos Trovante, "não acredito, não posso". Certo é que envelheci outra vez, com ele também desparece um bocadinho da minha adolescência. Mas só me apetece dizer: Obrigada pelas borboletas.
~CC~
Uma banda de que gostei bastante. No meu tempo, ou melhor, no meu meio, não se ia a concertos. Gostava de os ouvir cantar, sabia algumas canções e sobretudo amava a voz de Luís Represas. Tinha um sorriso cativante, mas o que sempre preferi nele era o tudo que lhe ia na voz e era capaz de acordar em mim a poesia. Tinha uma voz poética, ele.
ResponderEliminarAo invés da CC, li que morreu de doença prolongada. Oxalá não tenha sido muito prolongada. Envelheci antes dele morrer. Mas não esqueço os bons momentos que passei ao som dos Trovante.
Eu fui do início da coisa...poupava-se para ir e não era tão caro. Sorriso de menino sempre. Vão ficar, ele queria que as suas canções não ficassem esquecidas e eu acho que meia dúzia não vão ser.
EliminarTriste. A voz está gravada. Agora estamos sempre a tomar consciência do que nos espera.
ResponderEliminarMelhor viver e não pensar nisso...ou pensar só um pouquinho:)
EliminarPedro Abrunhosa sobre Luís Represas: “A morte não devia levar os que cantam o poema mais difícil, o da dignidade humana”
ResponderEliminarEu nada posso dizer, porque mal o conheço.
Pois, se tivesse sido jovem no Portugal dos anos 80/90 acho que conheceria. Um abraço
EliminarFui apanhada desprevenida... fiquei muito triste.
ResponderEliminarQue descanse em paz.
A sua voz continuará a ser ouvida.
Bom fim-de-semana.
Deixo um beijo.
:(
Todos nós fomos! Não era de conhecimento público, foi a sua forma de viver a doença...cantemos, ele queria.
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