sexta-feira, 21 de agosto de 2026

No escurinho caseiro



Este ano vi bons e menos bons filmes em ciclos de cinema ao ar livre que muitas cidades, mercê desses maravilhosos cineclubes que no tempo resistiram, ajudaram a criar.

Mas o mais comovente acabou por acontecer no escurinho caseiro. Primeiro apenas vislumbrei uma Fanny Ardant na RTP 2, bastante mais velha, mas tão bela ainda. Como sempre gostei muito dela, guardei o nome do filme: Jovens Amantes.  Não fui ver a sinopse e ainda bem, só agora a procurei e é tão banal, talvez não tivesse procurado ver o filme se a tivesse lido. Se não conseguirem ver na RTP 2, poderão encontrá-lo na RTP Play.

O título, não sei se igual em francês, ilumina tudo. Todo o amor é sempre jovem, independentemente da idade de cada um dos protagonistas, de ambos ou se têm idades muito diferentes. E é jovem porque implica uma coragem para saltar barreiras e medos, tudo o que aprendemos a reter com a idade, a barricar-nos, a não nos deixarmos ir, a não nos deixar surpreender. Compreensível o cansaço, o medo da doença, a repugnância do próprio corpo, a falta de paciência, com a idade já nada nos parece apaixonar, não há borboletas que acordem dentro de nós e, mal pretendem esvoaçar, tentamos afugentá-las. Na pressa de apagar o incêndio, apagamos o fogo. 

A protagonista deslumbra-se de tal modo que não resiste a ir, que brilho ganham os seus olhos negros. Mas volta depressa atrás quando o corpo lhe mostra a idade que tem e a doença que está já a dar sinais. Está ali, contudo, um homem que sabe cuidar, que quer cuidar, que sempre cuidou de tudo e de todos. E diz-lhe que enquanto estão vivos respiram o mesmo ar e isso é tudo o que importa, não o que virá depois. Para uma mulher bela, um homem belo, é isto que é deslumbrante no filme, não conseguimos escolher de qual deles gostamos mais.

~CC~


11 comentários:

  1. Também vi. Banal... é a palavra certa.
    Um abraço.

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    1. Não sei se achou o filme banal ou a sinopse...mas acredito que seja fã da atriz, quem cresceu a ver cinema francês, fixou-a.

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    2. O filme vale muito por ela. Bom Domingo, está a outonar e suspeito que deve gostar da estação.

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  2. Vi esse filme também em casa, suponho que na RTP play (onde já não consta), ou ainda no tempo em que via Tv , num tv cine que passava regularmente filmes franceses. Gosto qb de Fanny Ardant, uma boa actriz, e o filme é bonito. Julgo-o pouco realista, mas o sonho também faz parte da vida:).

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    1. É raro mas acontece, por isso não acho que seja irrealista, apenas que é invulgar. Lídia Franco, atriz portuguesa é casada com um homem 15 anos mais novo. Eu também conheço um casal assim, com o mesmo pormenor da doença, já lá vão dois episódios de cancro da mama e ele sempre ao lado dela, atento, cuidador, muito bonito. E claro, o sonho faz parte da vida:)

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    2. Pouco realista não é igual a irrealista; mas sim, raro aproxima-se mais do que queria dizer.

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    3. Certo...bom Domingo Bea, já cheira a Outono

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  3. importa salientar que felizmente temos a RTP2 que nos vai brindando com filmes e séries de qualidade, coisa que está arredada da RTP1

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    1. Sem dúvida, é praticamente a única coisa que se salva.

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