domingo, 14 de julho de 2013

Rodando no país triste



Amanhã já é Segunda Feira outra vez, os dias passam rápidos entre quilómetros de estrada, andado de norte para sul e de sul para Norte, pelas estradas pagas onde euro a euro pagamos o Portugal dito moderno, procuramo-las quando o corpo já dói de rodar pelas mais baratas e circular entre o trânsito das nacionais que se aproxima do dos anos 80.
 
No hospital público, com a mais velha, voltei a saber o que são corredores e salas de espera absurdamente cheias e sem lugares sentados para a espera de horas e horas. No calor daquele piso apinhado, com uma média de idades acima dos 70 anos, não sei como as pessoas aguentam. Depois penso que são velhotes portugueses e aguentam porque sim, é o que melhor se sabe fazer neste país triste.

Um país triste cortado por alegrias breves: o mar quente deste sul, um mergulho agora mesmo, a pele que traz este nosso sal. Ontem o teatro na rua, maravilhosa companhia de pesquisa das tradições algarvias, a brilhar na noite de Tavira, casario branco do castelo. E em cada coisa boa que vejo e sinto pergunto-me o que nos falta se temos tudo, o que nos aconteceu para termos deixado de ser um país e passado a ser a parte mais falida da falida Europa.

~CC~

segunda-feira, 8 de julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

E sem terapia conjugal


 
Pedro e Paulo são como os casais que ficam juntos pelos filhos, não se suportando já. Também não fizeram terapia conjugal, esperam que a missão possa resolver tudo, sem ver que os filhos tudo dariam para que os pais não levassem a encenação do casamento até ao fim, foram aliás eles os primeiros a ver o fim.
 
~CC~

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Sorrisinho amarelo


Divirto-me muitas vezes a analisar linguagem corporal e expressão facial, quase sempre muito mais reveladoras e verdadeiras do que as palavras. Há muito tempo que Passos Coelho não olhava para Paulo Portas directamente, ficava rígido na sua proximidade, rejeitava gestos de maior cumplicidade e de quando em quando concedia-lhe um sorrisinho amarelo. O Paulo Portas é das elites mas gosta de se rir e de falar alto nas feiras, tem algum fascínio pelo povo e um fraquinho pelos reformados, em síntese gosta mais de calor do que de frio. Resiste-se ao ódio, convive-se com o amor, dificilmente se resiste à indiferença. As divergências políticas são menores do que as concordâncias mas há uma questão de pele, o homem não volta. Desta vez é simples análise clínica, já que pululam por aí os comentadores políticos encartados.
 
~CC~

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Sim, contente, mas...



É fácil ficarmos alegres por um político mau ter saído de cena. Iludo-me muito pouco com isto, nem chego a sentir-me feliz, apesar de já não aguentar mais do que dois minutos a fala arrastada do ex. ministro.
 
É que ao meu lado também há maus políticos, pessoas como nós, que trabalham ao nosso lado, vizinhos que moram no nosso prédio, elementos da família que nos faltam. Diabolizamos os políticos porque eles não são de facto os melhores de nós e porque nos faz bem poder diabolizar alguém. Porém, com olhos bem claros e abertos, veremos que o mundo não é assim tão simples, por todo o lado o poder se conjuga facilmente com incompetência, inveja, arrogância. O mal tem de facto uma banalidade surpreendente. O bem que não se conota com o que é beato nem existe a coberto de uma causa missionária é mesmo uma raridade.
 
Apesar de tudo e como as coisas não correm pelo melhor com tudo o que tento inventar de novo, dois colegas enviaram-me um abraço para me animar. Outro enviou-me um mail agressivo porque a direcção da escola pediu que indicássemos se fizemos ou não greve e eu enviei a resposta para todos os colegas- diz que não tem nada a ver com a minha greve. Compreendo-o mas não tenho nada a ver com a indisposição dele. A influência do ministro sobre o meu mundo traduz-se num revoltante corte de dinheiro no meu ordenado, mas a influencia dos amigos, dos colegas, da família é incomparavelmente maior. Mora no micro mundo a razão da nossa vida.
 
~CC~