sábado, 17 de agosto de 2013
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Lado B
Tinha vinte anos e pouco conhecia de Portugal quando subi a primeira vez até às aldeias de xisto da Lousã. Eram aldeias fantasma, ninguém vivia lá e algumas casas que se mantinham de pé tinham as portas escancaradas e brincávamos de lá entrar e espreitar um mundo que tinha acabado. De vez em quando enxames de abelhas expulsavam-nos do que sobrava da vida humana. O calor abrasava porque estas odisseias ocorriam invariavelmente a cada Agosto. Assisti à primeira recuperação de uma casa abrigo e passámos a dormir lá uma noite para fazermos sentir aos nossos miúdos (das colónias de férias) o que era uma noite estrelada e uma manhã de silêncio. Nenhum habitante. Isto aconteceu a meio dos anos oitenta e durou até ao início dos anos noventa. Sensivelmente no fim desta minha primeira trajetória associativa em terrenos da animação sociocultural, chegavam os primeiros estrangeiros com desígnio de moradores permanentes. Dizia-se que eram alemães em busca de um reduto de paz e de sol.
As autarquias demoravam a despertar para o potencial turístico que a serra guardava, mais abaixo junto aos rios estavam a nascer as primeiras praias fluviais com esse nome e era aí que se começavam a depositar as esperanças, mas no meu tempo ainda só lhe chamávamos açudes e buscávamos os mais escondidos e tranquilos. Hoje a paisagem mudou e as aspirações também. Não vale a pena ir procurar as aldeias de xisto velhos desígnios, elas são hoje já outra coisa, parte tradição, parte modernidade, num saudável encontro que me parece guardar o que de melhor temos. Para quem acha que só são verdadeiras as aldeias com as ruas cheias de bosta, as moscas a invadir tudo, a água tirada do poço e a luz do petróleo, para quem vê no esforço tremendo dos homens e mulheres que viviam de tudo isolados a verdadeira natureza, não vale a pena vir. Se falarmos com as pessoas que viviam e ainda hoje há quem viva nessas condições, elas não dirão que é bom, dirão que é triste. Sabemos que a Urbe foi a grande aspiração dos anos 60 e que o êxodo tornou Portugal numa faixa litoral. Para fazer agora diferente, tem que ser com outras condições, habitar no interior não é fácil e morar numa aldeia muito menos. A Água Formosa tem casais de reformados que voltaram da cidade e um casal novo, mas é muito no que já foi nada. E tem gente como nós, que no Verão escolhe este turismo. Nós fomos da aldeia durante aqueles dias, quando apareciam visitantes dizíamos: nós agora moramos aqui. É preciso que mais pessoas façam esta escolha para que o esforço destas pessoas possa salvar estas aldeias, nem que seja dando-lhes moradores ocasionais, gente que as ama durante uns dias como se lá tivessem nascido.
É publicidade gratuita e de coração.
~CC~
domingo, 11 de agosto de 2013
Lado A
Uma ribeirinha corre lentamente junto à casa, o fio de água tem a pressa dos cágados que descem por ela e se ocultam dos nossos olhares. Este lugar poderia ser desenhado por uma criança para ser a aldeia perfeita e por isso parece não existir realmente. Quando nos afastamos da aldeia e a olhamos de uma das encostas, o conjunto das dez/vinte casas e das suas ruas pequeninas lavadas e floridas, afigura-se um postal.
Hoje, aqui na cidade, o conjunto harmonioso das casas de xisto, as pequenas ruas cheias de flores, o caminho para a fonte, as pequenas hortas muito cuidadas, o forno colectivo do pão, o silêncio total a cada manhã e o céu maravilhosamente estrelado a cada noite, os telemóveis sempre abandonados porque sem rede, os cães mansos que por lá vagueavam como propriedade semi colectiva, os gatos fugidios, o casal de velhos ainda novos que nos trazia bolos acabadinhos de fazer, tudo parece ter sido afinal uma fantasia minha para me abrigar.
Esta aldeia foi posta aqui para ser a minha aldeia porque eu nunca tive uma e esta é a ideal para quem ama o campo e detesta a matança do porco, se inebria com o cheiro intenso das ervas mas não tolera o cheiro do leite acabado de ordenhar. Eu não sou do campo, eu sou alguém da cidade que ama o campo. Estou na fronteira das coisas, sou um produto de fusão, habita-me a contradição própria dos impuros. Esta é a aldeia perfeita para mim porque é uma aldeia e já não é uma aldeia, é tradição e já não é tradição, é gente da aldeia mas que viveu uma vida na cidade e agora voltou, escolheu a aldeia para viver, ela não foi uma fatalidade na vida deles, deixaram-na quando a vida ali era insuportável e voltam com a luz, a água canalizada, a recolha selectiva do lixo (sim, esta aldeia tem).
Diria que voltaria uma e mais vezes, se ela pudesse ser o meu lugar. Mas foi paixão temporária, ainda não o meu amor para sempre, aquele que busco.
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
Um lugar
Escolhi uma aldeia que me é desconhecida para passar férias.
Vou no rumo das cascatas para repousar no canto das cigarras.
~CC~
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