domingo, 8 de setembro de 2013
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Sujeitos ou objectos...
Não, esta não é uma conversa sobre os piropos. Mesmo sem participar em redes sociais já cá chegaram os ecos da discussão. Gosto muito deste texto e quando achamos que alguém diz bem o que pensamos, escusamos de repetir.
Esta é uma conversa sobre os sistemas de saúde público e privado, se é que é possível falar deles assim. A maior parte das pessoas que conheço e nas quais me incluo defendem que temos um bom sistema público de saúde mas sempre que podemos recorremos ao privado. É contraditório mas explica-se. Se estivermos numa situação urgente recorremos ao hospital público porque sabemos que em situação de emergência estão lá os médicos mais experientes e a sua própria experiência acumulada de anos de tratamento dessas situações. Há normalmente equipamentos bons nos grandes hospitais públicos. Nessas situações pouco nos importa a decoração, as batinhas lindas do pessoal ou o ramo de flores naturais na mesa do atendimento.
Se estivermos doentes e soubermos que é situação prolongada ou a exigir uma intervenção operatória, escolhemos um privado, preferencialmente se tivermos um seguro de saúde. Porquê?
No privado podemos escolher um médico e ele quase de certeza irá tratar-nos pelo nosso nome. Se necessitarmos de uma intervenção eles são capazes de a agendar para um prazo muito razoável (com dinheiro à vista é claro). É tudo mais simples e menos burocrático, embora os tempos de espera tenham aumentado muito. Quase sempre nos explicam o que há a fazer. No entanto, não me pareceram fiáveis os médicos do atendimento permanente ou das urgências, quase sempre estrangeiros sem qualquer capacidade de comunicação com o doente. Aí é a despachar, talvez porque não haja grande coisa a ganhar.
Pergunto se as coisas boas do privado não seriam possíveis no sistema público. Estou convencida que sim. A primeira coisa seria mudar o paradigma, deixar de tratar os utentes como parasitas do Estado, parece que estamos lá porque nos fazem um favor, não porque temos esse direito. Não somos tratados como sujeitos e por isso é que não podemos escolher nada, escolhem tudo por nós. O médico só pode ser aquele, o medicamento é aquele e mais nada, a operação faz-se daquele modo e não se diz que há outras opções. Uma vez numa urgência deram-me duas potentes injecções de cortisona sem me perguntar nada e um medicamente potente para a dor, também injectável. Não me deram qualquer opção, mandaram o enfermeiro aplicar. Chegamos lá e transformam-nos num corpo inerte, sem vontade própria. Uma vez na consulta do viajante ia avisada para perguntar pela vacina contra a cólera. Perguntei e ele explicou-me que era muito cara e não tinha comparticipação. Eu queria tomar e tomei, paguei-a. Estou convencida que foi um salva vidas para mim uma vez que estive muito doente em Angola e os sintomas eram muito semelhantes aos da doença. Nenhum dos meus colegas que foi ao país em missão idêntica o perguntou, nenhum a tomou.
Pergunto se as coisas boas do privado não seriam possíveis no sistema público. Estou convencida que sim. A primeira coisa seria mudar o paradigma, deixar de tratar os utentes como parasitas do Estado, parece que estamos lá porque nos fazem um favor, não porque temos esse direito. Não somos tratados como sujeitos e por isso é que não podemos escolher nada, escolhem tudo por nós. O médico só pode ser aquele, o medicamento é aquele e mais nada, a operação faz-se daquele modo e não se diz que há outras opções. Uma vez numa urgência deram-me duas potentes injecções de cortisona sem me perguntar nada e um medicamente potente para a dor, também injectável. Não me deram qualquer opção, mandaram o enfermeiro aplicar. Chegamos lá e transformam-nos num corpo inerte, sem vontade própria. Uma vez na consulta do viajante ia avisada para perguntar pela vacina contra a cólera. Perguntei e ele explicou-me que era muito cara e não tinha comparticipação. Eu queria tomar e tomei, paguei-a. Estou convencida que foi um salva vidas para mim uma vez que estive muito doente em Angola e os sintomas eram muito semelhantes aos da doença. Nenhum dos meus colegas que foi ao país em missão idêntica o perguntou, nenhum a tomou.
Se o paradigma não muda é porque é bom desinvestir da melhoria do público, obviamente que se sabe porquê.
~CC~
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Este Setembro
Deixar lentamente as férias saboreando o que ainda resta ou cortar radicalmente mergulhando o mais possível nas tarefas que já se acumulam? Setembro é mês difícil, voltar é difícil. A cada ano, Setembro é mais difícil. Tento concentrar-me numa ideia positiva: eu ainda tenho emprego.
Há uma semana que não ia ver o mar, hoje não aguentei e parece que bebi do seu azul, sinto-me muito melhor.
~CC~
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Bom ano lectivo
Belos artigos para começar o ano lectivo. Quem dera que o Crato lesse para além da sua cartilha.
Do professor (e nosso mestre) João Barroso:
http://www.publico.pt/temas/
Do Ex. reitor da Universidade de Lisboa António Nóvoa
http://expresso.sapo.pt/desemprego-jovem-e-a-morte-a-prazo-da-sociedade-diz-sampaio-da-novoa=f815429
Há gente boa em Portugal, normalmente fora dos partidos políticos.
~CC~
domingo, 1 de setembro de 2013
Faça você mesmo
A única coisa que nos ensinaram nas últimas décadas foi a consumir, a precisar de ter dinheiro, cada vez mais dinheiro para as necessidades cada vez menos básicas. Embora eu seja uma resistente ao conceito de necessidades básicas. Há quem prefira comprar um livro ou ir a um concerto, nem que seja a troco de umas latinhas de atum.
A minha mãe costurava a roupa toda para os filhos e para ela própria, eu mal sei pegar numa agulha. No outro dia entrei numa loja de tecidos e fiquei maravilhada a olhar os padrões, arrependida de nunca me ter sentado nessa máquina de costura que deu a volta ao mundo atrás da dona. Nessa matéria não vou a tempo de me redimir mas noutras sim.
Não sei se foi por isso. Não sei se é pelo facto do dinheiro já mal chegar para pagar as contas do mês. Ou ainda por não gostar de ter gente estranha em casa, sempre resisti a ter empregada doméstica, gosto de cuidar das minhas coisas por mais que me custe. Parece que nos países nórdicos nem conhecem o conceito de empregada doméstica, todos cuidam de tudo, a família reparte tarefas.
Escolhemos as tintas, os rolos, o escadote, cada coisa com cuidado, analisando relação preço qualidade. Pintámos metade da casa a linho e uma parede havana, guardei a lata de ardósia para o meu quarto. A vida e o amor são também as paredes pintadas por nós. Agora olho-as e é como se tivessem mais história, guardam estes dias de esforço, resistindo ao mar. Não está perfeito, é verdade. Mas tem o valor das coisas com história, são melhores, mais interessantes.
As paredes combinam agora com os três morangos apanhados hoje do canteiro.
E à noite havia o teatro. Deixava-se a tinta a secar.
~CC~
Subscrever:
Mensagens (Atom)
