quinta-feira, 11 de abril de 2019

Escrever, ler, sonhar



O tempo intensamente ocupado é uma vertigem, escapa-nos a maior velocidade do que a luz. Pergunto-me, olhando para o último post, onde é que se passaram as horas entre segunda e quinta, amanhã já sexta. E sei, infelizmente que muitas e muitas foram passadas aqui, a escrever. Não uma escrita que possa partilhar convosco, a escrita profissional faz-se dentro de caixas estanques, herméticas, com ligação a meia dúzia de pessoas. Uma escrita lunática como é a escrita dos projectos que submetemos a candidaturas que só remotamente podemos ganhar. E eu também sou lunática, só isso explica esta entrega sem fim a coisas que nunca ganharei.

No meio disto faço pequenos mergulhos no mundo real que valem ouro. Hoje, durante um estágio, num dos sítios mais belos do mundo (uma biblioteca, como não?) confessei ao estudante o quanto gostaria de ir para ali dia a dia, só para poder ler e talvez escrever. E ele disse-me: escreva, escreva professora. Sabe o que devia escrever? Um conto para crianças. Fiquei-lhe tão agradecida por ele me achar capaz de um feito tão grande. Por me ajudar assim a sonhar.

~CC~

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Culinária anti-stress


Quase só compreendo do que ele diz a palavra chocolat pois é praticamente igual e não sei se a pronuncia em holandês ou em alemão. É língua agreste que ele torna suave com o seu cabelo branco, os óculos antiquados e aquela batinha branca que já nenhum chef usa (os modernos, quanto muito, um avental). Parece que tudo se resume no nome Rudolfh, um nome que não me soa agradável.

Vejo pouca televisão, embora seja quase a única maneira de me esticar no sofá. Mas confesso o meu vicio neste homem que faz doces. Deixo-o ligado enquanto faço muitas outras coisas mas de quando em quando vejo-o encantada. Tento entender as razões. Talvez seja pelo modo como ele se derrete com a beleza das massas, dos frutos, das cores. Talvez seja por causa daqueles desenhos dos miúdos colados no frigorífico. Talvez seja pelo modo como de quando em quando olha para a câmara com um sorriso tímido. Talvez por ter quase sempre flores na cozinha. Talvez por o achar tão doce como os doces que faz. Às vezes apetecia-me entrar pelo écran para provar um bocadinho de qualquer coisa que fez, mas sobretudo para lhe dar um abraço. É o meu programa favorito anti-stress.

~CC~

sábado, 6 de abril de 2019

Parece que é já hoje




Não se deixem assustar pela chuva, é um lugar quente, abrigado mas também cosmopolita onde nos podemos juntar a conversar e a ouvir um bocadinho de Jazz.

~CC~

domingo, 31 de março de 2019

Pura alegria



Pode durar apenas um minuto, às vezes uma hora, outras vezes quase um dia inteiro. O que sinto é uma alegria imensa por estar viva, só isso, pura alegria. Senti-o agora mesmo, no minuto que já passou. Senti-o por me poder vestir, sair e ir a pé pela cidade.

Não sei se todos conseguem perceber isto ou apenas os que estiveram na iminência de morrer. Não por surpresa, como acontece com um desastre súbito, uma calamidade, aqueles para quem a iminência da morte é o horizonte que se lhes apresenta como provável. Todos, quase todos ou apenas estes?

~CC~

sábado, 30 de março de 2019

As coisas pequenas do amor



Vi o arco-íris num arco completo e pensei se, como eu, terias reparado nele. Se te terias deixado atravessar pelas suas cores tão perfeitas. Se o terias contemplado a sua beleza com os olhos que eu tenho. E lembrei-me dos teus olhos, raramente molhados como julguei vê-los hoje. Quando te comoves julgo amar-te mais, preciso saber-te sensível.

Os homens duros não são os meus homens, por isso preciso de saber se viste o arco-íris, ou se ele te foi indiferente. Preciso saber se a sua beleza te encantou. O amor também é feito destas coisas pequenas, ninharias.

~CC~