O tempo intensamente ocupado é uma vertigem, escapa-nos a maior velocidade do que a luz. Pergunto-me, olhando para o último post, onde é que se passaram as horas entre segunda e quinta, amanhã já sexta. E sei, infelizmente que muitas e muitas foram passadas aqui, a escrever. Não uma escrita que possa partilhar convosco, a escrita profissional faz-se dentro de caixas estanques, herméticas, com ligação a meia dúzia de pessoas. Uma escrita lunática como é a escrita dos projectos que submetemos a candidaturas que só remotamente podemos ganhar. E eu também sou lunática, só isso explica esta entrega sem fim a coisas que nunca ganharei.
No meio disto faço pequenos mergulhos no mundo real que valem ouro. Hoje, durante um estágio, num dos sítios mais belos do mundo (uma biblioteca, como não?) confessei ao estudante o quanto gostaria de ir para ali dia a dia, só para poder ler e talvez escrever. E ele disse-me: escreva, escreva professora. Sabe o que devia escrever? Um conto para crianças. Fiquei-lhe tão agradecida por ele me achar capaz de um feito tão grande. Por me ajudar assim a sonhar.
~CC~