quarta-feira, 17 de abril de 2019

cinco ovos e um bode (para a Susana)



Eram tão iguais que ninguém adivinharia que eram de sexo diferente. Duas gotinhas de água, dois anjos, dois belos diabos.

A mãe já sabia que eram dois, mas havia dúvidas se seriam dois meninos, duas meninas, um menino e uma menina. Para baralhar o mundo como os gémeos gostam de fazer, se um deixava o cabelo crescer, o outro deixava também, se um o cortava, o outro também queria. E havia o pacto de ela nunca usar saias, o que aliás combinava com a sua personalidade, feita de paixão por subir árvores, correr atrás dos animais, atirar pedras para a água e deitar-se na erva a imaginar de que seriam feitas as nuvens. Ele só ia atrás, como se os dois centímetros de altura que tinha a menos, o tornassem refém dela. Mas quando ele começava a desenhar o mundo à sua volta, era ela que se rendia ao seu talento, pasmada de lhe faltar aquele jeito, não obstante serem tão iguais.

Ela esperava sempre pelas férias com o coração ansioso pela liberdade de poder correr nos terrenos da aldeia em que a avó morava. Ele deixava-se ir, tranquilo, pelos caminhos, a tentar reter no olhar o que havia de desenhar e pintar.

Quando a avó os mandou ir ver se havia ovos nos ninhos das galinhas, ele arrepiou-se um pouco, não era coisa que lhe agradasse. Ela puxou-o rápida: vamos, vamos!! Eram cinco maravilhosos ovos, bem grandes. Ela rapidamente propôs que ficassem com eles, não os levassem à avó, podiam escondê-los num sítio, aquecê-los e ver os pintos nascer. Ele só abanou a cabeça em sinal de discórdia. Ela estava zangada: não os levo! E ele, bem firme: isso é que levas!

Como é que dois seres que se amam tanto, com oito anos de idade, se podem zangar assim? 


(continua)

~CC~

(oh Susana, mas eu ainda tenho dúvidas se isto é para crianças)














segunda-feira, 15 de abril de 2019

Vermelhas



Frutas vermelhas todas elas.

Agora os morangos e as framboesas.

Não tarda chegarão as cerejas.

Depois as melancias.

São as minhas frutas, as minhas pinturas, a minha boca doce, a minha Primavera, o meu Verão.

Até pode chover, desde que elas cheguem, é o sol que chega.

~CC~

domingo, 14 de abril de 2019

Paraíso



O silêncio do domingo matinal é um manto que me cobre e me embrulha em conforto.

Melhor seria poder ir até ao Alentejo e ver como as estevas, essas frágeis flores que parecem papel, conseguiram sobreviver às chuvas de Abril, cheirar o mato e ir beber água numa fonte que ainda não a tivesse perdido. 

O paraíso poderia chegar inteiro se levasse uma manta, um livro, um bocadinho de pão de milho e queijo de cabra. E uma boa companhia, daquelas que gostam tanto da palavras como do silêncio e se comovem com as coisas simples.

~CC~

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Escrever, ler, sonhar



O tempo intensamente ocupado é uma vertigem, escapa-nos a maior velocidade do que a luz. Pergunto-me, olhando para o último post, onde é que se passaram as horas entre segunda e quinta, amanhã já sexta. E sei, infelizmente que muitas e muitas foram passadas aqui, a escrever. Não uma escrita que possa partilhar convosco, a escrita profissional faz-se dentro de caixas estanques, herméticas, com ligação a meia dúzia de pessoas. Uma escrita lunática como é a escrita dos projectos que submetemos a candidaturas que só remotamente podemos ganhar. E eu também sou lunática, só isso explica esta entrega sem fim a coisas que nunca ganharei.

No meio disto faço pequenos mergulhos no mundo real que valem ouro. Hoje, durante um estágio, num dos sítios mais belos do mundo (uma biblioteca, como não?) confessei ao estudante o quanto gostaria de ir para ali dia a dia, só para poder ler e talvez escrever. E ele disse-me: escreva, escreva professora. Sabe o que devia escrever? Um conto para crianças. Fiquei-lhe tão agradecida por ele me achar capaz de um feito tão grande. Por me ajudar assim a sonhar.

~CC~

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Culinária anti-stress


Quase só compreendo do que ele diz a palavra chocolat pois é praticamente igual e não sei se a pronuncia em holandês ou em alemão. É língua agreste que ele torna suave com o seu cabelo branco, os óculos antiquados e aquela batinha branca que já nenhum chef usa (os modernos, quanto muito, um avental). Parece que tudo se resume no nome Rudolfh, um nome que não me soa agradável.

Vejo pouca televisão, embora seja quase a única maneira de me esticar no sofá. Mas confesso o meu vicio neste homem que faz doces. Deixo-o ligado enquanto faço muitas outras coisas mas de quando em quando vejo-o encantada. Tento entender as razões. Talvez seja pelo modo como ele se derrete com a beleza das massas, dos frutos, das cores. Talvez seja por causa daqueles desenhos dos miúdos colados no frigorífico. Talvez seja pelo modo como de quando em quando olha para a câmara com um sorriso tímido. Talvez por ter quase sempre flores na cozinha. Talvez por o achar tão doce como os doces que faz. Às vezes apetecia-me entrar pelo écran para provar um bocadinho de qualquer coisa que fez, mas sobretudo para lhe dar um abraço. É o meu programa favorito anti-stress.

~CC~

sábado, 6 de abril de 2019

Parece que é já hoje




Não se deixem assustar pela chuva, é um lugar quente, abrigado mas também cosmopolita onde nos podemos juntar a conversar e a ouvir um bocadinho de Jazz.

~CC~

domingo, 31 de março de 2019

Pura alegria



Pode durar apenas um minuto, às vezes uma hora, outras vezes quase um dia inteiro. O que sinto é uma alegria imensa por estar viva, só isso, pura alegria. Senti-o agora mesmo, no minuto que já passou. Senti-o por me poder vestir, sair e ir a pé pela cidade.

Não sei se todos conseguem perceber isto ou apenas os que estiveram na iminência de morrer. Não por surpresa, como acontece com um desastre súbito, uma calamidade, aqueles para quem a iminência da morte é o horizonte que se lhes apresenta como provável. Todos, quase todos ou apenas estes?

~CC~

sábado, 30 de março de 2019

As coisas pequenas do amor



Vi o arco-íris num arco completo e pensei se, como eu, terias reparado nele. Se te terias deixado atravessar pelas suas cores tão perfeitas. Se o terias contemplado a sua beleza com os olhos que eu tenho. E lembrei-me dos teus olhos, raramente molhados como julguei vê-los hoje. Quando te comoves julgo amar-te mais, preciso saber-te sensível.

Os homens duros não são os meus homens, por isso preciso de saber se viste o arco-íris, ou se ele te foi indiferente. Preciso saber se a sua beleza te encantou. O amor também é feito destas coisas pequenas, ninharias.

~CC~

terça-feira, 26 de março de 2019

Num momento tudo muda.


Era domingo.

Um domingo de sol tranquilo.

E saímos pela estrada grande, devagar, na viagem tantas vezes feita pelo interior do Alentejo. Podia ver-se cada coisa muito nítida, debaixo da luz soalheira.

Sentiu-se depois o primeiro trovão a fazer tremer a terra, vieram a seguir os relâmpagos e depois a chuva forte. Olhei para os meus sapatos abertos, o vestido ligeiro, o casaquinho.

Senti o cheiro da terra molhada, intenso, forte.

A vida é isto, quando parece estar tudo arrumado, reparamos que afinal era só ilusão. Num momento tudo muda. Sei o que é esse abalo, conheço estes trovões que vêm romper-nos por dentro.


~CC~

quarta-feira, 20 de março de 2019

Um povo que chora



Nenhum povo merece.

Mas os moçambicanos são um povo de olhos doces, coração grande, sorriso largo. A sua magia está inteirinha nos livros de Mia Couto. Que tristeza chegarem à comunicação por isto e não pela sua grande nobreza.

A que conheci nos meninos que nadavam depois da escola na praia de Pemba. E nos professores que sabiam de cor o único livro que tinham para estudar a matéria das suas disciplinas. Nas mulheres que via sair de madrugada para o trabalho no campo. Nos homens que costuravam à porta das casas. Nos que apanhavam caranguejos e os colocavam nas suas enormes cestas.

Nós gostamos de viver disse a mulher na reportagem, com que dignidade o disse.

~CC~




domingo, 17 de março de 2019

Faz-me bem



Sábado à tarde fui trabalhar para lá, a grande casa do sobreiro onde, contabilizadas as horas, passo muito mais de metade da minha vida, mesmo contando as seis horas de sono. Hoje trabalharei em casa.

Todos me querem impedir de fazer isto. É verdade que às vezes estou exausta.

Mas adoro o meu trabalho, não uso a palavra amor porque amor é outra coisa. Há coisas chatas, oh se há. Mas ainda ontem saí de lá com uma sensação de satisfação. Penso em como é possível sentir isso gastando um sábado à tarde. Eram projectos que os estudantes de pós graduação estavam a fazer no terreno, todos com uma componente simultaneamente artística e educativa. Penso nisso e na forma como a satisfação advém de pensar que com eles estou a mudar alguma coisa numa realidade cinzenta. Não tenho as grandes ilusões que tinha antes sobre a mudança das coisas. Mas uma pincelada de amarelo, ali outra de azul, talvez ali um cor de laranja. Gosto cada vez menos de aulas e mais de estar com eles, de desenharmos coisas em conjunto, de falarmos lado a lado. Sonho com um ensino em que isto pudesse ser a centralidade.

Depois foi ao cinema e aí sim, senti que desperdicei tempo e era uma actividade de lazer. O filme era mediano, duas estrelinhas, esforçadamente três. Bom desempenho da actriz principal, uma portuguesa. 

Não é nas categorias tradicionais: trabalho, lazer, família...que nos devemos centrar. É no prazer que cada uma delas nos traz, no bem que cada uma nos faz, uma análise que nem sempre é fácil de fazer. 

Agora vou sentir o ar da manhã de domingo andando pela cidade. Sim, isso faz-me bem.

~CC~




sábado, 16 de março de 2019

Antes gritar



O ódio, como ele se infiltra nos adolescentes em São Paulo que massacram colegas inocentes, como ele se instala num adulto na Nova Zelândia, como ele é servido sem pudor nem análise aprofundada nas televisões e nas redes sociais. Não sei se há agora mais ódio do que havia antes mas há muito mais formas de o disseminar. E nunca os inocentes me pareceram tão inocentes e nunca fomos tão vulneráveis. E neste adoecer do mundo, os nossos quatro canais inventam os programas mais estúpidos de sempre, quando pensava que com a casa dos segredos já tínhamos chegado ao pior dos patamares. Mas não há uma forma de parar com isto? Eu também sei assobiar para o lado mas há dias em que não me apetece mesmo, antes gritar.

~CC~

terça-feira, 12 de março de 2019

Um beijo de sol



São vinte e três anos de um amor que foi mudando mas cuja intensidade permaneceu igual. Não há como ele, qualquer coisa que nasce no interior de nós, se distribui pelo nosso corpo entrando nas próprias células e nos invade, às vezes com uma calma feliz, outras com uma ansiedade gritante. Não há dúvida que primeiro é qualquer coisa animal, um desejo intenso de agarrar, cuidar e respirar. Nos primeiros anos é como se fosse ainda uma extensão da nossa pele, um ser que ainda não se separou totalmente de nós e que amamos com a ferocidade da paixão. Devagar vamos percebendo que sem autonomia não poderá crescer, ganhar as suas asas, conquistar o seu mundo. E vamos amando de outra forma, deixando respirar, dominando anseios de agarrar, encher de beijos, cuidar. Um dia descobrimos que não é apenas um ser autónomo mas que é capaz de nos contestar, de pensar de forma diferente de nós, que tem saberes próprios e a sua própria forma de ver o mundo. E se isso nos pode custar, é também o melhor de tudo. É perceber que criámos um ser com vida própria, capaz dos seus próprios voos. Esse amor por alguém adulto é já um outro amor e é ainda o mesmo amor.

Parabéns filha minha, um dia bom no país em que neva nos teus anos, envio daqui um beijo de sol.

~CC~

domingo, 10 de março de 2019

País de sonhos desfeitos...



Ali, no pulsar daquela casa dentro da pequena aldeia respirei profundamente, deixando-me invadir pelo cheiro das estevas. Lá fora, muito perto, o rio a correr. Uma ideia maravilhosa que não tinha tido êxito, o de tornar aquela aldeia um lugar de acolhimento de visitantes, abrindo as portas das casas, dos pequenos quartos, das cozinhas desarrumadas, do que resta das hortas. Os mais velhos, os guardiões da memória, poderiam enxotar a solidão praticando formas de se fazerem entender e contar coisas.

Tivesse eu mais vidas.

Uma delas poderia gastar ali, a falar com os mais velhos, dizendo-lhes que há modos de lutar contra o medo do estranho. O que é uma aldeia turística sem habitantes? Apenas um casario enfeitado por camadas de tinta.

A casa grande está ali bela mas quase vazia, ela é tudo o que os museus não podem ser, tão ou mais vazia do que quando partiu a sua última habitante. Um dia a autarquia contará os números de visitantes, fará contas ao ordenado do técnico, acrescentará a luz, a água, a manutenção...e mais uma vez algo fechará morrendo no pó dos tempos.

Este é um país de maravilhosos projectos mortos, associações decrépitas, empresas goradas, sonhos desfeitos. Cada vez que uma coisa boa fecha, sinto um aperto no coração. 


~CC~





quinta-feira, 7 de março de 2019

Luto de lutar sim



Gosto do luto de lutar e não do luto como choro da morte.

Não quero chorar as mulheres mortas, quero lutar para que fiquem vivas.

E toda a luta é grito, alegria, poesia. A mão segurando o cravo. O punho erguido num céu de chumbo. Um riso solto sem pudor. Um corpo feito de curvas dançando no baile.

Celebremos a luta das mulheres.


~CC~


sexta-feira, 1 de março de 2019

Falta



O cansaço melhorou ligeiramente desde que senti a tua pele a aproximar-se da minha.

Sei, contudo, que ainda falta respirar-te.

A ti e a ao ar do mar.

A ti e ao cheiro que as árvores deitam quando chamam a Primavera.

~CC~

domingo, 24 de fevereiro de 2019

A tua voz



A voz dela tão fresca, que bom ouvi-la. E quando a vejo lá no meio da neve, acho-a ainda mais bonita do que quando partiu.

Não ligo muitas vezes, só quando ocorre no coração um súbito aperto.

Maravilha que é esta nossa palavras saudade, tão bela.

~CC~

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Bom dia



Já o vi algumas vezes por ali a arrumar carros e a vender óculos. É já um homem de meia idade, um pouco gordinho e sempre razoavelmente vestido, escapando claramente ao estereótipo do arrumador de carros.

Arrumei o carro sozinha, pois ainda havia muitos lugares, por isso ele não se aproximou logo, talvez com a sensação de que não merecia uma moeda. Mas como demorei a sair, ele lá se foi aproximando, mais para me perguntar se queria uns óculos de sol. Reparei, no entretanto, que tinha arrumado o meu carro de tal forma distante do do lado direito que impedia que alguém estacionasse do meu lado esquerdo e por uma margem pequena, com um jeitinho, tal seria possível. Disse-lhe: acho que vou voltar a tirar o carro, é melhor não acha, assim sempre fica um lugar aqui ao lado e pode fazer muita falta a alguém. Vi-lhe um enorme sorriso e agradeceu-me muito. Disse-me que a maior parte das pessoas nem sequer lhe diz bom dia e que se afasta a correr mal ele se aproxima, como se ele tivesse uma doença. Disse-me que nunca pedia dinheiro, que isso era com cada um, e que às vezes um bom dia teria sido suficiente.

Fiquei a pensar nas razões pelas quais temos tanto receio de alguém que não vive uma vida convencional e que na maioria das vezes o faz de forma inofensiva. O que nos faz fugir de um arrumador mal se aproxima? Estamos num espaço público, na maior parte dos casos com gente a circular. De onde nos vem o incómodo, o medo? Na maior parte das vezes as discussões que os vejo ter são entre eles e não com potenciais clientes. Também nunca fui insultada por nenhum deles e já me aconteceu dar e não dar dinheiro, em função das circunstâncias (ter ou não moedas, por exemplo).

E um bom dia, o que custa dizê-lo?

~CC~





sábado, 16 de fevereiro de 2019

Leva-me



Esgotamento.

Eis um termo do senso comum que a psicologia não usa. Mas acho-o muito bom, é a incapacidade quase total de pensar, que iremos sucumbir se alguém nos perguntar mais alguma coisa, se tivermos que ler mais um bocado ou que falar. À beirinha hoje.

O cansaço extremo. Dormir pouco porque a cabeça continua noite dentro a trabalhar, a ver trabalhos, a falar com os estudantes, em reuniões com colegas, em projectos.

Reconhecer o perigo, os sinais de perigo.

Esvaziar-me de tudo um bocadinho ao sol, vendo as pessoas passar de lá para cá.

Pensar no Verão, nas férias, em ir à Galiza. Explorar virtualmente os lugares, embeber-me deles.

Fechar os olhos. Descansar. Por favor leva-me contigo a ver as amendoeiras em flor antes que todas as pétalas caiam com este vento primaveril.

~CC~



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Este dia


Deve ter sido um sinal bom não me ter lembrado. Mas havia qualquer coisa com o dia, senti-o mas não sabia exactamente o quê. E não, não era por ser o dia dos namorados. 

Foi ontem o dia da entrada no hospital. aliás centro clínico, proibida que fui de lhe chamar hospital.

Serão apenas dois anos? Parece ter sido há tanto tempo. As imagens nítidas misturam-se com outras menos precisas. 

Hoje, a data da operação. Pela manhã e durante dez horas a retirada do órgão, o longo bordado interior. Acordei e já era noite, demorou tanto tempo que quando soube que horas eram perguntei pelo que tinha corrido mal. E o cirurgião respondeu que nada. Só três dias depois saberíamos que sim, que afinal tinha corrido mal. Nem sempre o que está mal se percebe logo, no meu caso foi uma lenta caminhada para o perigo, ele a aproximar-se e eu sem perceber. A batalha, a grande batalha ocorreu no terceiro dia e prolongou-se por três semanas. Uma batalha travada em muitas frentes, com o corpo, com a cabeça, com o coração. O coração, esse que esteve sob ameaça por algum tempo, prestes a sucumbir. No primeiro ano fui lá, agradecer à equipa médica. Desta vez estou a lembrar-me agora.

Li algures que alguém se referiu ao seu cabelo como sendo o seu segundo. Eu também tenho um segundo cabelo, é uma feliz expressão para nos referirmos à conquista de mais vida.

~CC~