Uma semana de muitos encontros, festas e festinhas, muitos dias a comer fora. Tudo isso a par de muito trabalho,.
Alguns na minha cidade, um fora, esse ficará talvez para outro dia.
Num deles só se pode comer a vista que é linda, de tirar a respiração. A comida é dispensável, nem sei como é possível fazê-la tão sem sabor. Pedimos picante, sempre disfarçou.
No outro, sem vista, numa ruela escura delicio-me a ver a senhora, já de bastante idade e a arrastar uma perna, a tirar do expositor de peixe as folhas de couve onde os exemplares de várias espécies repousavam. Grandes folhas, muito verdes. Lembro-me que era comum vê-las nos expositores por baixo do peixe mas agora é uma raridade. O sabor da comida anunciou-se logo pelo cheiro. Uma pena a televisão ligada e as flores de plástico.
Eu gosto de quase todos os lugares, dos mais finos e gourmets, às tascas mais recônditas, aos restaurantes que ficam no interior de clubes desportivos/recreativos que são quase só para os sócios, aos recantos de comida ao ar livre em festivais e outras coisas do género. Gosto de perceber o que é, como é, de quem é, quem lá vai, como se vai lá. Há muito para além da comida e há a comida. A senhora das folhas de couve e as folhas de couve eram por si só um achado, qualquer coisa de singular que registei nos meus sentidos todos. O meu mapa dos paladares é feito destas pequeninas coisas, um lugar que me ficou por uma coisinha pequena, não o esqueço mais.
Não me encanto com qualquer coisa mas há tanta coisa que me encanta.
~CC~