sábado, 13 de julho de 2019

Constatações matinais



É sem dúvida o melhor sítio para lavar o carro, no meu caso, uso-o no máximo duas vezes por ano. É longa a fila, logo às 9h da manhã de sábado. Na fila de dez carros, predomina a presença masculina, apenas eu e outra mulher. É a proporção inversa da fila do supermercado.

~CC~

terça-feira, 9 de julho de 2019

Não há B, nem C, nem D


Pouco a pouco os electromésticos foram avariando. 

E vieram os diagnósticos, pagos evidentemente. O valor da proposta de cada arranjo pouco abaixo do valor de uma máquina nova. Se adicionado o valor da deslocação, muito próximo mesmo. Diz o entendido que tenho sorte, cada um dos novos não durará metade do que estes duraram (cerca de 14 anos). Significa isto que apesar da tecnologia estar cada vez mais avançada, tudo durará cada vez menos. Já tinha percebido isto mesmo com os carros, lembram-se que duravam uma vida? Os miúdos que neles andavam a comer guloseimas eram os mesmos que neles aprendiam a conduzir. 

Olho para a mobília de quarto da minha filha comprada há meia dúzia de anos, também está toda estragada, os cantos descolaram e a pretensa madeira de faia ficou baça e feia.

As coisas são agora feitas para serem descartáveis, jogadas fora. Pergunto-me amiúde para onde irá todo este lixo. Pergunto-me como fazer diferente, sem conseguir arranjar solução. As máquinas estão ali paradas e ando a lavar roupa e loiça à mão, sei que não é sustentável para mim, mas adio, penso, repenso.

A vida moderna está cheia de paradoxos, de contradições, de dilemas. Fingir que é simples o caminho para um planeta sustentável é ilusório, com pequenas coisas até já consigo fazer o caminho, mas com outras tenho muita dificuldade. Mas a consciência essa está sempre lá: não há planeta B, nem C, nem D...


~CC~


domingo, 7 de julho de 2019

Mapa de paladar(es)



Uma semana de muitos encontros, festas e festinhas, muitos dias a comer fora. Tudo isso a par de muito trabalho,.

Alguns na minha cidade, um fora, esse ficará talvez para outro dia.

Num deles só se pode comer a vista que é linda, de tirar a respiração. A comida é dispensável, nem sei como é possível fazê-la tão sem sabor. Pedimos picante, sempre disfarçou. 

No outro, sem vista, numa ruela escura delicio-me a ver a senhora, já de bastante idade e a arrastar uma perna, a tirar do expositor de peixe as folhas de couve onde os exemplares de várias espécies repousavam. Grandes folhas, muito verdes. Lembro-me que era comum vê-las nos expositores por baixo do peixe mas agora é uma raridade. O sabor da comida anunciou-se logo pelo cheiro. Uma pena a televisão ligada e as flores de plástico.

Eu gosto de quase todos os lugares, dos mais finos e gourmets, às tascas mais recônditas, aos restaurantes que ficam no interior de clubes desportivos/recreativos que são quase só para os sócios, aos recantos de comida ao ar livre em festivais e outras coisas do género. Gosto de perceber o que é, como é, de quem é, quem lá vai, como se vai lá. Há muito para além da comida e há a comida. A senhora das folhas de couve e as folhas de couve eram por si só um achado, qualquer coisa de singular que registei nos meus sentidos todos. O meu mapa dos paladares é feito destas pequeninas coisas, um lugar que me ficou por uma coisinha pequena, não o esqueço mais.

Não me encanto com qualquer coisa mas há tanta coisa que me encanta. 

~CC~






quinta-feira, 4 de julho de 2019

Leis gerais particulares (1)



A minha loja favorita de roupa enviou-me um sms a anunciar descontos de 50%. Apetece-me ir lá mas lembro-me de uma das minhas leis gerais particulares: não compres uma nova peça de roupa enquanto não vestiste uma nova que já compraste.

~CC~

quarta-feira, 3 de julho de 2019

De volta



É verdade que a música retrata um ele que chega e uma história de amor que (re)começa. Nada nela se adequa à sua chegada, a não ser aquele ritmo de valsinha brasileira.

Mas foi a música que ouvi dentro de mim quando a vi chegar. Ela diz que é outra. Talvez...mas ainda se esquiva a abraços apertados, tem o mesmo sorriso grande, as duas rosas de cor no rosto. O brilho nos olhos que traz também vi algumas vezes, mas agora parece estar intenso, fruto do muito mundo que viu.

Teremos tempo para avaliar as maturações interiores, os desejos que ficaram, as coisas que ainda fizeram falta. Certo é que nunca esteve na realidade longe porque o longe é um desencontro que nunca sentimos, uma dor que nunca se instalou. Esteve sempre perto, agora é só um perto diferente, feito de mais sentidos, mais calor, mais hipóteses de partilha.

É bom que tenha ido, é muito bom que tenha regressado.

~CC~

PS. O Erasmus é de longe o melhor passaporte europeu que há.