O amor é uma coisa que demora tempo e tem que ser aprendida. O amor dá trabalho, as relações longas são uma prova de fundo, só digna de alguns corredores que aguentam nas subidas, embalam nas descidas e conseguem apanhar o ritmo durante as rectas. As desistências são muitas, também já desisti algumas vezes. E além disso a paixão, as relações breves, têm o seu poder de atracção. Mas desgastam-nos mais, consomem-nos. É claro que há quem prefira. Mas esta prosa é para os outros, para quem quer permanecer.
O amor muda porque nós também mudamos e precisamos de acompanhar as nossas e as mudanças do outro. Nesse caminho, é muito fácil que nos percamos. É muito fácil que tudo se torne um lago de águas paradas, uma busca de conforto e segurança, apenas o laço que se tem para impedir a solidão. Nesse caso só se precisa de coragem, desistir da corrida é o melhor, não porque não se é capaz, mas porque a prova não vale a pena, ou já não vale a pena.
O tempo de férias é muitas vezes a prova de fogo. Há tempo, o dia todo com o outro por perto, às vezes longe de casa onde não há os cantos habituais de refúgio, não há como evitar-lhe os olhos, as manias, o que deslumbra e o que irrita. Como tantas mulheres e tantos homens, saí sem intenção de voltar depois de umas férias. E pensei muito sobre isso.
Como justamente potenciar o encontro e não o desencontro, aproveitar o tempo maior, descobrir ainda coisas do outro ou nos descobrirmos a ambos em certos e outros lugares?
E de cada vez que regresso feliz, não isenta de sobressaltos e pequenos momentos infelizes, mas ainda assim mais rica e com histórias vividas a dois, acho que aprendo, vou aprendendo, vamos aprendendo.
~CC~