Há sempre um dia no Verão em que chove. Este Verão também. Estava em Santiago de Compostela e choveu tanto que tive que ir comprar um guarda chuva, o que fiz no mercado que é especialmente bonito. Gosto dessa água quando chega com calor, lembra-me a infância. Se ela chegar com frio, já não a sinto da mesma forma.
E há também sempre um dia em que tudo corre mal. Em que o teu cansaço embate na minha energia. Em que o teu desconforto por estares longe de casa embate na minha alegria de nada conhecer e estar totalmente perdida. Em que tu paras, não queres ir mais a lado algum. Em que eu quero ir especialmente a um sítio fazer uma coisa que se apossou de mim com uma vontade férrea. Nesse dia costumas ver turistas em todo o lado e pior que tudo costumas sentir-te um turista, para ti não há nada pior. Já eu não costumo importar-me muito, aceito a circunstância de estar numa praça linda cheia de gente que, como eu, a acha linda.
Nesse dia eu queria comer polvo à galega, queria comer do polvo feito na rua, em tendas. Tu querias tudo menos comer o que quer que fosse, quando ficas assim, até o apetite perdes. Andavas a custo atrás de mim e eu tentava não entristecer da tua tristeza. Tanto me apetecia abraçar-te e consolar-te como fugir de ti, como fazem os miúdos que se perdem de propósito das mães.
Há sempre um dia mais triste no Verão, mesmo assim eu esgueiro-me com mais facilidade dessa tristeza, debato-me, faço-lhe frente. Se for Inverno, derroto-me mais facilmente. Sim, é isso que amo mais no Verão, esse borboletear que se apossa de mim, sou facilmente pássaro e flor.
~CC~