Em vez das duas vezes de semana de yoga tenho feito duas aulas por mês. Esta minha irregularidade faz com que nunca conheça bem os parceiros de jornada, em regra bem mais sérios e regulares. E alguns deles parecem conhecer-se há anos, combinam coisas entre eles e mostram fotos do fim de semana. Sou uma estranha.
Nunca tinha visto o homem que ficou tão perto de mim que quase quebrava a bolha dos 20 cm, o que me tornou a aula especialmente difícil. Primeiro, o senhor ligava o turbo sempre que a posição era complexa, ou seja, ouvia-se-lhe a respiração em grande esforço, o que não é comum nestas aulas que primam pelo silêncio. Depois trazia uma tshirt cheia de bonecos e frases, o que também não é vulgar na indumentária desta frequência quase zen. O pior é que estava tão perto que conseguia ler as frases. O título era "narcisismo" e por baixo coisas dos género "eu só me amo a mim", " eu sou o melhor", etc. Ainda por cima era de cavas. Estava espantada, passei o tempo a tentar concentrar-me.
Só no final da aula consegui ler as letras miudinhas que estavam por baixo das frases maiores a enaltecer o narcisismo, dizia "tudo tem tratamento". Ainda assim questionei-me sobre a utilidade de usar tal coisa. Só lhe perdoo se foi uma prenda do dia do pai, sabemos que mesmo que sejam pirosas, as amamos sempre.
~CC~