Tenho tendência a pensar que ultrapassei isto sem quase ter ficado com nenhuma marca, nenhuma ferida. Às vezes acho que já me esqueci de quase tudo, ou pelo menos isso não se atravessa no meu quotidiano. Não me vejo, não me encaro como uma pessoa doente ou incapacitada, não obstante ter aquele papelinho.
Mas depois há isto, hoje é a terceira vez. Morrem familiares de amigos e eu não consigo lá ir. Quero a morte a uma distância muito grande de mim, temo aproximar-me. Logo eu que que brinquei em cemitérios e que nunca tive qualquer medo de entrar num. Até os acho lugares de boas histórias.
Hoje o arrepio foi ainda maior, nem conhecia a pessoa, era apenas familiar de um funcionário do lugar onde trabalho. Mas ela já me tinha contado várias vezes e sempre para me dar esperança: a minha mãe teve o mesmo e está viva e bem. Agora já não me poderá soprar tal alento.
Talvez tenha ficado uma pequena ferida.
~CC~