O cansaço produz tanto vazio. E uma certa insensibilidade ou rudeza ou tristeza. Lembro-me de no ano passado ter passado entre as barraquinhas de madeira da feira de Natal e achar aquilo bonito, enquanto agora me pareceram acanhadas, despidas de encanto, mera imitação de qualquer outra coisa num outro país que não o nosso. A árvore de Natal é igualmente feia, durante o dia uma pirâmide de metal enorme, a atrapalhar o passeio e a ultrapassar a copa das verdadeiras árvores, essas sim, bonitas. E uma pergunta terrível a congelar alma: para quê todo este lixo? E logo outra: será que isto vai passar-me? Será que um dia me encanto outra vez?
Só me apetece o silêncio do campo, essa noite grande de estrelas, essa manhã de acordar lento, esse chá que pode beber-se ao pé da lareira.
Ou o mar de Inverno, essa praia despida onde se pode conversar com as gaivotas.
~CC~