Fiquei a olhar os teus cabelos escuros, compridos e encaracolados, e o maravilhoso tom de pele moreno. Achei-te mil vez mais bela que a mais bela loura de olhos azuis.
Mas se todas fossem iguais a ti, a tua beleza seria banal e vulgar.
E se todas fossem louras de olhos azuis, o enjoo seria idêntico. Lembrei-me daquela terra em que fiquei maravilhada com a primeira mulher loura, alta, magra e de olhos claros que vi. Depois vi outras tantas e tantas iguais e quando vi a última a minha admiração era já pouca, não por não serem belas mas porque aquela beleza era a única que havia para ver.
Lembrei-me depois da menina gordinha que tenho dentro da família, vitima da mais tonta discriminação que há. Um dia combinaram com ela almoçar na cantina, coisa que ela destestava, mas pensou que com as amigas conseguiria. Mas nenhuma delas apareceu. Sabem, não se esquece uma coisa destas.
Quando aprenderemos que por sermos tão desiguais somos tão interessantes e belos? Falhámos já quantas vezes como humanidade? Quando aprenderemos?
Até quando suportaremos cantilenas que nos diminuem e nos tornam pequenos monstros?
~CC~