É bom ir longe à procura do desconhecido.
Mas o desconhecido pode morar bem perto. É uma placa de rua que não reparámos mas que esconde o nome de alguém com uma maravilhoso percurso de vida, é uma mesquita escondida atrás de um muro que não a deixava ver, é uma árvore num jardim onde tanto passamos mas que descobrimos é afinal classificada, impossível de abater.
No fim de semana passado o tempo estava instável e o passeio previsto foi anulado. Ainda assim marcámos encontro numa das adegas da Quinta do Anjo, em geral mantêm o nome da casa agrícola da família e têm a marca de muitas gerações. A proprietária é uma mulher notável que estudou engenharia agrícola e esteve na reforma agrária antes de regressar ao seu território, não é pessoa de muitas falas, é preciso puxar-lhe pelas histórias, mas está sempre disponível para acolher uma diversidade de iniciativas. Desta vez era o lançamento de um livro sobre plantas. Mas assim que nos encontrámos, o livro ficou para depois, era ir vê-las, saber-lhes os nomes e as propriedades. Vamos subir aos sepulcros, disseram. Todos pareciam conhecer. E eu nada disse sobre a minha ignorância, pronta para o espanto. Quando passeamos com as pessoas que são do território abrem-se portas, visitam-se quintais, demora-se a cumprimentar este e aquele, fazem-se perguntas, há alguém que sabe uma coisa, outro acrescenta.
E por fim os sepulcros, enormes buracos onde os corpos repousavam no meio de oferendas. Idade do Cobre, taça campaniforme muito em uso na Península Ibérica mas desenho típico de Palmela, como é que não sabia, como é que não tinha nunca reparado?! Mais história dentro da história, mais espanto atrás do espanto.
~CC~



Quinta do Anjo é um nome belíssimo. Em garota julgava-a lugar habitado por um anjo com grandes asas. Ou, mais tarde, imaginava que um anjo ali tinha descido, vindo directamente do éter, a dar algum recado aos humanos e assim dera nome ao lugar, haveria uma lenda que sustinha a praça com um anjo enorme em pedra escurecida pelo tempo. Mas ao passar por lá, já eu jovem adulta, deparei com lugar normalíssimo, ruas de casas mais rurais que citadinas e uma olaria conhecida. Ainda hoje imagino que haverá lá mais para o interior, a praça com o anjo que nunca vi. Aos ditos "túmulos" não vi nem concebi, mas suponho-os hoje restos de história de humanos que por ali habitaram (mau grado os dizeres de grutas artificiais).
ResponderEliminarHá ainda um Potugal desconhecido que espera por nós, não é CC?
Boa semana
Bom dia Bea, são artificiais por terem sido construídas por mão humana para o efeito e não o aproveitamento de grutas já existentes na natureza, assim...mais valor têm pois foi na idade do cobre! Pois é, vão todos para os lugares turísticos ver as mesmas coisas...e depois há tantas outras coisas escondidas em lugares aparentemente vulgares. E por vezes mesmo nessa vulgaridade há apontamentos maravilhosos. Boa semana!
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ResponderEliminarBom dia CC,
Obrigado pela partilha. Não conheço e não queira saber as vezes que tenho ido à sua terra nestas últimas semanas. Anda escondida? :)
Não resisto a saber a sua opinião sobre a polémica do dia:
Mário de Carvalho ou Saramago?
Na resposta dou a minha!
Tem vindo?! E como posso eu saber? Acha que me vai reconhecer, provavelmente não, o tempo passa, envelhecemos. Recuso a escolher porque acho a própria escolha ilegítima, pq tem o Ministério de Educação de escolher em vez dos professores que são formados para tal? Que poderiam escolher em função dos alunos e talvez mesmo com eles? Façam uma lista de autores preciosos da nossa literatura e nada mais (esses dois constariam). É tudo por causa de uma coisa chamada exame e para dar pouco trabalho a quem os corrige. E assim, com autores obrigatórios, não ensinamos a amar a literatura. Está a ver que até tenho pensamentos liberais? Contra o hiper determinismo e centralização do Estado😊.
EliminarEu quando ouvi hoje na TV nem queria acreditar. Depois entrevistaram um professor com funções no ministério que fugiu por 3 vezes à pergunta directa que o jornalista teimava em fazer.
EliminarAcho incrível o nosso único prémio Nobel ficar de fora. Se pretendiam incluir o Mário de Carvalho, acrescentavam à lista e depois professora e aluno escolhiam.
Assim não cheira bem...
Eu até sou suspeito porque não acho o Memorial do Convento a melhor obra dele, já do Ano da Morte gostei muito, contudo os meus preferidos são o Levantado do Chão e o Ensaio sobre a Cegueira.
Do MC querem incluir o Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, livro que ainda não li, muito premiado e que me deixou curioso.
PS - claro que não a conheço exteriormente (fique descansada), mas à custa de tanto a ouvir no divã, acho que a reconheceria facilmente :))))
Sim, concordo, não apenas por ser um Nobel mas por ser notável toda a obra e a forma como se fez escritor e a construiu. Os seus dois preferidos são também os meus. Ah, ah...não tenha problema, se achar que sou eu é só dizer a senha Rua da Índia 😂. Prometo que digo que é aí que moro. Se for outra pessoa, aposto que diz que não sabe onde fica tal rua...
EliminarComo é importante saber olhar, saber ver.
ResponderEliminarUm abraço.
Que ninguém nos roube essa capacidade, guiando e moldando os nossos gostos.
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