quarta-feira, 1 de abril de 2026

Paeonia broteroi

 

São as minhas rosas da Páscoa. Um ritual que cumpro com a invariância de todos os meus rituais, uma vezes sim, outras não. Mas assim que cheguei à aldeia fui à procura delas. E encontrei-as. São belas, esquivas, selvagens e muito frágeis. Tento datá-las na minha memória, talvez tenha sido em 2014 ou em 2015 que delas ouvi falar, pela voz das crianças que moravam nesta serra e às quais perguntámos por aquilo que nela era genuíno e identitário e elas nos disseram: a rosa albardeira. Tecemos então uma história e depois um teatro e elas representaram-no, creio que só hoje temos noção de quão felizes fomos.

Estas rosas que em nada são rosas, numa improvável combinação que resulta bela de cores rosa e amarela. Gostam de altitude, não amam o sol nem a sombra, gostam de solos siliciosos, de se abrigar nos bosques com azinheiras junto às quais nascem. O seu habitat natural não são os jardins, embora haja quem as consiga ter. Se as apanharmos, depressa morrem. 

O nome Péon é a de um deus que é médico dos deuses, entre os dons curativos da planta está a de curar pesadelos, deve ser por isso que nesta aldeia o meu sobressalto noturno se vai tranquilizando. Tal como as rosas albardeiras, só consigo chegar na Primavera, antes dela este frio e humidade afasta-me daqui para Sul. 

Somos flores, sou flor, sou esta flor.

~CC~


Alvados, 1 de abril de 2026

5 comentários:

  1. uma rosa livre num mês de liberdade.
    Boa Páscoa

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    1. Sim, uma sintonia plena. Boa Páscoa, o que quer que para si ela signifique. Desta vez precisavámos que fosse a construção da paz.

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    2. Sim, uma sintonia plena. Boa Páscoa, o que quer que para si ela signifique. Desta vez precisavámos que fosse a construção da paz.

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  2. Pouco sei de lugares altos e menos de suas flores. Mas um dia, alguém me chamou um nome que esqueci de uma flor que nasce rara em altos píncaros. Achei tão bonito! Filha do chão raso, só ali sei das pequenas coisas.
    Uma vez, era eu tamanhinha, fui ao casamento de uma Rosa Albardeira, a única que conheci e que apenas vi naquele dia, cabelo crespo, longo e negro, rebentando na brancura do véu, boca carnuda e sorridente, dentes perfeitos que vistos do meu tamanho eram imensos. Foi a noiva mais exuberantemente feliz que me foi dado ver. Assim seja a CC e as rosas albardeiras que procura e encontra. Gostei de vê-las.

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    1. Na verdade Bea as planícies são também os meus lugares naturais, aqueles em que me sinto confortável e o Alentejo em particular. Mas não tenho lugares de abrigo lá para além da minha porta de entrada e está caríssimo para alugar o que quer que seja, tomado po estrangeiros com muito dinheiro. Depois já duas serras de afecto no meu mapa, lugares onde se volta. Bonita a história da noiva vibrante, algo que não fui nem nunca serei. Mas são vibrantes as rosas albardeiras.Para si uma boa Páscoa.

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