domingo, 13 de setembro de 2026

Fim de estação, coisas nada amadas

 

Não tenho pressa, é verdade, o Verão poderia só ir acabando devagarinho, diminuindo o calor, a quantidade de luz por dia e, sobretudo, a indolência que comporta. Mas reconheço que há coisas no Verão que não são nada interessantes e muito menos confortáveis, e com isto vou pedindo, ainda que com moderação, que venha lá o Outono. Deixo cinco coisas que não gosto, aposto que os amantes de Outono acrescentariam com afinco esta lista (cá vos espero), enquanto que os amantes do Verão por certo as consideram de relativa ou nenhuma importância (também podem dizer).

1º - Os preços sobem bastante, sobretudo em zonas turísticas e perto do mar, assinalo que paguei no Verão o dobro do preço do que paguei no Inverno por uma água com gaz. A fruta, mesmo aquela que é denominada como fruta da época, como por exemplo, os pêssegos, assumiu este ano valores como nunca tinha visto.

 2º - A hipermania de festas e festivais por todo o lado e a toda a hora, já não se aguenta. Antes convivíamos com festinhas de aldeia populares e dois ou três festivais de música de grande produção, agora já perdi a conta, a imaginação delirante tomou conta de tudo e de todos, desde as coisas mais alternativas, às artísticas, às gastronómicas, às de luz, cor, religião e afins, muitos afins...isto é uma moda que incomoda porque já não se consegue sossego em lado nenhum. Por causa disto, não fui a único festival ou festa este ano, e não é que algumas não me chamassem, mas já não suportava a ideia em si. Há demasiado ruído no Verão, nesse aspeto prefiro o silêncio do Inverno.

3º - A ideia que nos é transmitida que temos que estar felizes, quase tão irritante como a que temos que estar bonitos ou usar todos o mesmo. Olhei para os pés das mulheres este ano, mais de 50% tinham o mesmo tipo de sandálias, assim percebi que eram moda, nem é um modelo especialmente bonito nem torna os pés elegantes, mas é como se te dissessem que se não sabes que é aquilo que se calça estás fora da comunidade. As outras estações comportam, apesar de tudo, maior variabilidade, ou talvez andemos mais ocupados com outras coisas.

4º - Estes malditos golpes de calor, a temperatura não sobe ou desce gradualmente, há uma espécie de picos infernais a que se convencionou chamar onda. Não gosto do termo porque as ondas são bonitas. Deixam-nos não só com falta de ar como com a sensação que o mundo não dura muito mais e que ninguém quer seriamente saber disso.

5º - O lixo, consideravelmente em maior quantidade, mais desordenado e por vezes com um cheiro insuportável quando o calor abrasa nas cidades. Não me convenço que este sistema não tem que ser radicalmente alterado, não tenho soluções já feitas, mas estamos há demasiado tempo a fazer o mesmo da mesma forma, a questão é que sabemos perfeitamente que temos que diminuir a quantidade de lixo que produzimos mas o cidadão comum não sabe como. 

Que tal esta preparação para a mudança de Estação?! Chamo, contudo, devagarinho...porque o banho matinal, devidamente salgado e gelado, nesta Arrábida linda, ainda soube muito bem.

~CC~



5 comentários:

  1. O Verão tem uma magia inegável, mas exige muito de nós. Quando a transição para o Outono começa a bater à porta, é natural haver esse conflito entre o desejo de que os dias quentes não acabem e a necessidade biológica de ordem, frescura e recolhimento.

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    1. Sim, sem dúvida um conflito interno...mas depois adaptamo-nos pois como ser vivo que somos, é essa a nossa natureza.

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  2. Não partilho algumas das suas queixas. Nunca dei por festivais nem festas, não frequento e quase não vejo tv; vivo num arrabalde sossegado qb, não sou perturbada pela sua existência nem pelo ruído: Apenas Lena d'Água nos seus tempos de menina moça e mais tarde António Zambujo me levaram às festas da minha terra e só para vê-los e ouvi-los. Perdão, uma vez fui a Setúbal ouvir MadreDeus.
    Imagino que quem vive perto de mar citadino sofra um bocado com a inflação dos preços, mas vivo longe e paguei caro os pêssegos e grande parte não tinha sabor ou estava demasiado verde.
    Também não dei por tal tipo de sandália, não sei o que sejam. As minhas duram uns quatro a cinco anos e sou-lhes grata por me transportarem os pés sem dor. Quanto a roupa....sou mesmo fora de moda e nem digo porquê. Mas gostava de ser moderna, não me bole usar o que os outros usam, pode até ser igualinho, desde que faça o meu gosto. Este ano até estou um bocadinho afim de usar o que chamo gola de padre, porque sempre gostei delas, acho fixes e abrigadas.
    O lixo é mesmo um problema grande. Mas sobre isso escrevíamos meia dúzia de posts sem esgotar o assunto.
    E não, não me apetece mudar de estação, mas, alheio a vontades humanas, o calendário solar já mudou - acordo de noite na hora em que antes era dia; e às 20h é noite escura. Tristeza de vida.

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    1. O mundo visto do Oriente é por certo diferente se visto do Ocidente, a visão que construímos das coisas é marcada pela nossa experiência, ainda assim, ter em conta a visão e a experiência do outro ajuda-nos a encarar as coisas sob múltiplas perspectivas, por isso obrigada pela partilha. Estamos pelo menos juntas na luta contra a tristeza que o anoitecer cada vez mais cedo nos traz.

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    2. A luta contra a tristeza que o anoitecer cada vez mais cedo me traz é ainda mais brutal na Alemanha e, mesmo que tente, não me adapto.

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