quarta-feira, 9 de setembro de 2026

No escurinho do cinema (lá fora)

 

Às vezes vejo filmes com uma história algo linear e até expectável mas gosto por um pormenor ou por evidenciar esta ou aquela faceta humana, histórica ou social ou simplesmente pela beleza. África minha não é um filme linear?! É, e no entanto, como não gostar dele?! Também gosto bastante de documentários, quase todos.

Um filme pode ser bom, mas se mostra a violência de forma frontal e óbvia, mesmo que seja no retrato de uma realidade, afasta-me, não sei nem consigo lidar com a agonia que me provoca, ecoa no meu próprio corpo. Sim, fecho os olhos até o pior passar se o filme valer a pena, saio se assim não for.

Mas são os filmes estranhos, poéticos, ambíguos, com finais abertos que me apaixonam. Os que de alguma forma me desconcertam e não têm uma mensagem óbvia, aqueles que me deixam a pensar e ficam muito tempo comigo, levando-me a questionar, a procurar saber mais, ficam a pairar na minha vida muito tempo, sem que saiba explicar inteiramente aquele efeito.

Foi que aconteceu com  Amiga Silenciosa. Levei muito tempo a digerir o filme, a pensar nele, pior que isso, a investigar os gerânios e a Ginkgo Biloba, uma das poucas árvores que se reproduz de forma primitiva (ou seja, há um macho e uma fêmea). E não há dúvida, tenho uma pontinha de loucura. Imaginam-me a mapear os exemplares em Portugal?! A procurar o mais perto de mim? A ficar feliz porque existia e depois a procurá-lo num jardim com mais de cinquenta árvores? Como descobri-lo? Como é que alguém vai de árvore em árvore sem que alguém nos estranhe? Confesso que houve uns quantos olhares. E descobri-a, um exemplar na primeira infância da sua vida, atendendo a que pode durar entre 2000 e 3500 anos, ou seja há na terra exemplares que estão cá antes de Jesus Cristo...as folhas em leque são deslumbrantes e vivem todas as estações do ano.

Não contei a história do filme, pois não?! Acho que não a sei contar, a sinopse como sempre é redutora e eu não quero ser como a sinopse.

~CC~





8 comentários:

  1. Um dia, há muitos dias, foi a busca de um Teixo por causa de um livro. Perto de uma Ginkgo Biloba.

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    1. Se calhar eras um ser poético, capaz de pequenas loucuras...de algum modo, como diz a Michele Petit temos isso em nós, mas roubam-nos, perdemos ou perdemo-nos...ou nunca encontramos. Está muito além da capacidade de fazer poemas....

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  2. Prefiro amigas com língua, dentes, pálato e o mais; tenho em mim certo espontâneo gosto por árvores: admiro-lhes a resistência, a paciência de serem com as estações; e tive algumas por companhia. Sinto uma pena sem tamanho qd são destruídas às centenas pelo fogo e pela malvadez e usura humana. Mas prefiro os animais, sobretudo os humanos qd são menos animais.
    E admiro-lhe essa persistência de correr atrás de uma ginKgo biloba. Essa, que agora nem está nada de jeito, vai sobreviver-nos, estará no mundo muito depois de nós. E isso que importa?! Não pensa, não sabe, só está. Vi umas em S. Miguel muito, muito bonitas, têm até uma avenida/alameda com o seu nome. Essa mesma que mostra, em seu tempo, ficará como elas.

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    1. Esta arvore é só um bebé...e nem sei se vai resistir, creio que não a puseram no lugar mais adequado, mas vou por certo cuidar dela:) Ou quem sabe nem precise...parece que duas ou três resistiram à bomba de Hiroshima, primeiro secaram e pareciam mortas, mas depois tornaram a rebentar....Mas adoraria ver essas em S. Miguel, fui lá duas vezes à Ilha, mas...ainda não as tinha descoberto.

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    2. Fazem parte do Parque Terra Nostra. Não há que enganar.

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  3. Também prefiro os filmes "estranhos, poéticos, ambíguo".
    O Outono já chegou à sua caixa de correio?
    Um abraço

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    1. Ainda bem que avisou, esqueço-me de ir ao correio...Lindo, lindo...muito obrigada, há muito que a minha caixa de correio não recebia nada assim.
      Um abraço

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