Deslumbra-me o amor mesmo quando não o vivo. Aprecio as histórias em que ele brota como um pequeno regato e tem a coragem de crescer e rebolar até se tornar rio. Ainda mais quando as pessoas já não são novas e carregam vários desencantos. E dessas histórias que vejo nascer não tenho nenhuma inveja, pelo contrário, contento-me com o contentamento dos outros, sobretudo se deles gosto. Por isso perguntei-lhes se podia escrever a história deles, riram-se, mas sei que sabem que escrevo, não sabendo onde.
Tudo começa com uma maçã. Não se riam já, é verdade.
A. cultiva um pouco de tudo, tem maravilhosas macieiras, uma delas dá maçãs grandes e saborosas, sem químico algum. Essas maçãs foram levadas por uma amiga próxima, guardava uma na mala todos os dias para os momentos de fome ou gula. Mas eram maçãs grandes e ela conseguiu comer apenas metade. Ele estava por perto e ela deu-lhe a outra metade, costuma ser muito convincente e conseguiu porque a anunciou como a maravilhosa maçã de A. E ele sabia quem era A, tinham sido colegas há muitos anos, mas nunca tinham estreitado relações, eram distantes. Enviou-lhe uma mensagem curta agradecendo a metade da maravilhosa maçã que comera. E ela disse que se quisesse podia vir buscar mais, que a fruta das árvores era para os amigos e só uma vez por mês ia ao mercado.
Maçã mágica.
Parece que este Domingo A. as venderá no mercado, na companhia dele, rendido.
~CC~



