segunda-feira, 18 de setembro de 2017

E é já noite



Vinte horas e 12 minutos e é noite. O Outono é a estação mais difícil de amar, rouba-nos, ao entrar, e dia a dia, cinco minutos de sol.

~CC~

sábado, 16 de setembro de 2017

Cidade sitiada


Uma das sobrinhas foi viver para Londres há uma semana. Como não lhe admirar a coragem por viver numa cidade sitiada. A mãe disse-lhe para não andar de metro, ao que ela respondeu que era impossível viver em Londres sem o fazer, tudo na cidade é muito longe e só o metro cruza a cidade sem tanta demora. Compreendo mas não sei se seria capaz. O meu acto heróico de luta contra o medo
foi enviar a minha candidatura Erasmus para Barcelona, mesmo assim não sabendo se chegarei a ter tal coragem. Este não é o mundo em que fui jovem, lamento tanto, mais por eles, que tinham por garantido que o mundo seria tão vasto, muito para além do horizonte que todos os dias avistam.

~CC~

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Um dia mais



Paul Auster diz que já viveu mais do que o seu pai, tem 66 anos. E que acorda a dizer: um dia mais, agradecendo-o. Digo o mesmo aos 52, quase 53.

~CC~

terça-feira, 12 de setembro de 2017

África



Mãe, estou desempregado...precisa uma ajuda.

Não foi por ser negro que o reconheci nesta forma de pedir mas pelo modo como me chamou mãe. É assim que as mulheres que já tiveram filhos passam a ser chamadas por todos em África, sobretudo quando dobram a casa dos quarenta. É uma forma estranha para nós mas respeitosa para eles. Não são apenas os filhos a tratá-las por mães, são todos os homens. E acordou qualquer coisa lá no fundo de mim, qualquer coisa que às vezes me parece apagada para sempre mas afinal não, ainda vive comigo.

~CC~

domingo, 10 de setembro de 2017

Noticiário



Ontem, notícias à hora do almoço, via rádio.

O furacão Irma matou seis pessoas, o terramoto no México dez, em Myanmar a violência já matou mil.

Conclusão: ainda é o homem que mata mais.

O que fazer à (des)humanidade?

~CC~