sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Para a Susana



Olá Susana (é mesmo o seu nome? Bem, isso pouco importa...)

Apenas leitores convidados?!

Que pena, o seu blogue era dos que lia com mais gosto, quase sempre voltando de lá com um sorriso, quando não a rir. E olhe que rir faz falta. Faz-nos, portanto, falta.

~CC~

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Foi a 14



Faz um ano.

Exactamente neste dia, um pouquinho mais tarde.

Lembro-me que também pingava e estava frio, não tanto frio assim, não tanto como neste Inverno.

Brincámos com o quarto que parecia o de um hotel e tinha uma bela vista para o Tejo. Alternava medo e confiança, alegria e tristeza, num carrossel de emoções. A enfermeira indicou que tomasse alguma coisa para dormir e assim fiz. Sentia um peso cá dentro.

A minha filha ficou comigo nessa noite e ainda a vi na manhã seguinte, lembro-me daquela sensação fria da entrada para o bloco, de a ver ficar para trás, de pensar o quanto gostava dela e dele.

A pessoa que entrou naquele dia naquele hospital a que saiu ainda sou eu mas um eu com a experiência de quase morte, com a memória daquele tempo, longo tempo de dor e incerteza.  Diz o ditado que o que não nos mata nos torna mais fortes, não sei, acho que não. Trago comigo a consciência da minha fragilidade, a noção de que o tempo não se pode medir a longo termo, o querer pouco e uma coisa de cada vez.

E ainda por cima inventaram que este era o dia dos namorados, logo um dia pouco provável para dar  entrada num hospital. Do dia seguinte pouco recordo, a operação demorou dez horas. Eles recordarão para sempre a angústia da sala de espera, eu para sempre ter ouvido falar da angústia deles. 

Faz um ano, deus meu, que longo ano foi este, parece uma vida.

~CC~








terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

São ainda assim



Chegaram depois de nós, um casal muito jovem, queriam almoçar e o restaurante estava cheio, pelo que o senhor ia registando os nomes. E perguntou à jovem como é que ela se chamava, ao que ela retorquiu "Francisco", depois, ante o meu rosto de espanto (ou sem ser por isso), lá corrigiu, colocando ainda assim um "Francisco e Beatriz". São assim ainda as mulheres, até as mais jovens. É uma dominação de séculos bem colada à pele. Tudo mudou muito, mas tudo mudou ainda assim bem pouco.

E como voltei ao hospital onde estive há umas semanas (coisas de rotina) lembrei-me do casal cuja mulher estava grávida e entrou rapidamente para ser atendida pela médica. A assistente perguntou ao homem pelo número de semanas da gravidez da mulher, coisa que ele, deveras atrapalhado, não soube responder. Elas engravidam sozinhas, pelos vistos também casam muitas vezes sozinhas (a julgar pelo vídeo que a minha filha me mostrou da Mia Rose a falar do "seu" casamento).

Parte disto é sem dúvida da responsabilidade das mulheres.

~CC~

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Volver





Que lindos, que novos, pouco mais que dezassete. Procurava outra coisa mas encontrei esta e fiquei presa nestes rostos, nestas vozes.

~CC~




sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

O amor é burro e não vem com anti-vírus



O amor comporta inevitavelmente uma boa dose de burrice, de cegueira do que é óbvio, ou talvez seja só generoso. 

E se o amor conjugal (que não lhe quero chamar entre sexos diferentes pois podem ser do mesmo) pode comportar essa maravilhosa dose de generosidade, o amor filial bebe (quase sempre) nele às colheradas. Por isso os filhos nunca nos pegam nada do que têm, por mais contagioso que seja, nunca deixamos de os pegar ao colo, de entrar no quarto deles, de lhes levar uma sopa, de os levar connosco no carro. Num primeiro momento até nos julgamos imunes, faz parte da inconsciência afectiva, depois, aos primeiros sinais do contágio, sabemos só que era inevitável, que não podia ser de outro modo. Infelizmente não é possível integrar no ADN do amor um anti vírus potente, capaz de salvaguardar as mães e os pais, tornando-os capazes de fazer canjas de galinha até ao fim, sem sucumbir.

E desta vez foi assim que uma maravilhosa viagem a São Tomé se transformou primeiro numa viagem a Córdova e uma viagem a Córdova se transformou depois num sofá partilhado numa sala pequenina, com toneladas de lenços de papel, enjoos, tosse e noites mal dormidas. E só o amor permite atenuar essa tristeza, matizar o mal estar, procurar ainda algum riso, pois só ele tem essa infinita generosidade... ou burrice.

~CC~