quarta-feira, 8 de abril de 2026

Saudade do inteligível

 


A miúda teve cinco negativas e por isso é preciso cortar alguma coisa, acabaram assim as séries e a autorização para as dormidas ao sábado à noite na casa das amigas. Encontro amiúde isto, um castigo não só deslocado do problema como sem nenhuma análise do mesmo. 

Mas devia espantar-me pouco, se os os adultos poderosos no topo do mundo são incapazes de analisar problemas e pensar em estratégias adequadas para os resolver, como poderá aquela mãe, a educar uma filha sozinha, a sair às 7h todos os dias no Fertagus e a regressar no das 19h, fazê-lo.

A racionalidade é decididamente uma coisa fora de moda, como se todos tivéssemos deixado de saber que 2 + 2 são quatro e todos estivéssemos autorizados a dizer que a soma dá qualquer outro número, a verdade é uma coisa relativa e a mentira afinal não existe, tudo é mais ou menos relativo e uma coisa pode ser afinal uma outra. 

Moldada no paradigma positivista da Psicologia que tanto trabalho me deu a desmontar e a criticar, nunca pensei ter disso alguma saudade. O caos que tanto me pareceu fascinante em tempos, agora só me parece sombrio, e tenho vontade da ordem, não como limite da liberdade, mas no que ela permite explicar e iluminar caminhos e dizer coisas inteligíveis. 

~CC~

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