Não é que tenha passeado muito, saia cedo, chegava tarde e passava o dia a ouvir pessoas a falar, tendo que tomar notas de tudo (ou quase) o que diziam. Valeu-me o lugar ser bonito, aquele intenso verde ao sair e ao chegar aliviava tudo.
Mas passei a semana fora de casa, pelo que sinceramente, no regresso, só queria ninho. É claro que com este calor uma imagem de mar era apelativa, mas só de pensar na confusão inerente, aliada à mala por desfazer e tanto por organizar, fez com que o passeio possível fosse curto e a um lugar meu. Sei que quando vou lá é também ir a uma parte de mim, ali respirei tantas vezes no tempo da pandemia, e muito antes, quando estava longe de ser o que hoje é, era apenas um sitio escondido, mal conhecido, quase secreto. Quando o conheci, antes da obra, que foi tudo menos museológica, ainda funcionava como moinho de maré e ainda conheci o seu último moleiro, apesar de estar há anos desativado. Ainda é um lugar muito bonito, não obstante poder ter sido feito melhor e diferente naquela recuperação e relativamente ao projeto que hoje é. Acresce que o terreno sofreu consideráveis estragos este inverno e esteve muito tempo interdito.
Se vierem às terras do Sado, procurem o Moinho de Maré da Mourisca, falem um bocadinho com as garças, se tiverem sorte avistarão ao longe os flamingos. Gosto de me imaginar assim livre, que abro asas e voo. E sinto que estou cada vez mais perto ou que já estive mais longe.
~CC~



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