domingo, 20 de setembro de 2026

Defeitos Perfeitos (outra vez?!)

 

Ninguém respondeu à questão central que deixei e na qual fiquei a pensar após o espectáculo, no jogo de palavras que o Pina usa: defeito perfeito.

Também para mim é mais fácil pensar no dia perfeito. Mas talvez consiga juntá-los. O convite para ir dizer poesia em voz alta chegou através de um grupo habitual, embora não façamos isso muitas vezes e, muito menos de forma estruturada ou contínua. São coisas que acontecem, quase sempre encaixadas noutras, neste caso uma homenagem a uma escritora muito singular, dona de uma obra que funciona como um puzzle e que não é prosa nem poesia, não é ficção nem é auto ficção, creio que ela já estava muito à frente do seu tempo, até na forma como ligava os entes humanos e não humanos numa única cosmologia: Maria Gabriela Llansol. Era leitura da minha adolescência, nunca mais lá tinha voltado.

Um dia perfeito também pode ser aquele em que nos confrontamos com os nossos defeitos e os desafiamos. Primeiro, encostar a timidez a um canto. Mas isso é coisa que já me habituei a fazer para este tipo de eventos, verdade que sobretudo se de natureza técnica científica. Segundo, esquecer que toda a vida fui sopinha de massa, ou ainda melhor, saber que é possível melhorar isso, que o treino, a segurança, a vontade, tornam isso algo muito menos perceptível. E assim foi, achei que consegui tão bem, o meu defeito era um defeito tão perfeito que nem se notava. Depois veio o vídeo do evento e, claro, não era bem assim. 

Este defeito nunca desaparecerá completamente, é um defeito perfeito, colou-se a mim para sempre mas consigo pensar nele como um sotaque, incorporado e trabalhado, talvez seja apenas o meu modo de falar. Um defeito perfeito saiu à rua para um dia perfeito.

~CC~



1 comentário:

  1. Oh my God! Adoro Llansol. Poesia magnífica também. Aliás, tudo magnífico. E acho que é muito dizível.

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