Um raio de sol matinal espreitou no meio das nuvens, tornando o céu numa mescla mais bonita de azul e branco.
Creio que uma parte dele entrou dentro das dores persistentes na parte lombar da coluna que há cerca de um mês se decidiram instalar e não me deixam dormir uma noite plena, atrapalham a condução e os dias e até, por vezes, me secam a voz. Não que tenham passado, mas creio que esta promessa de Primavera será um factor fortemente adjuvante da medicação e talvez atenuante do retrato fiel que o instrumento científico trará em breve. Imagino um neurocirurgião que receitará caminhadas, leituras e banhos de mar ou mesmo termas com piscinas de água quente, talvez tocado por aquela pequena dose de magia que faz com que alguns médicos também sejam poetas. Mas há uns que não: olham direito nos olhos, com o bisturi bem perto de entrar na nossa pele, apontando a solução que consideram ser a certa, desprezando a nossa relação com o universo e os factores adjuvantes do clima.
~CC~
Há situações despidas de poesia, em que o bisturi é a única forma de fugir à dor e à consequente impossibilidade que nos tolhe e impede movimentos simples. Mas era bonito que algum médico receitasse coisas tão agradáveis. E mais bonito seria se a receita fizesse efeito, fosse curativa:).
ResponderEliminarQue a medicação, seja ela qual for, e mais os raios de sol que por aqui foram tempo de alegria breve, façam efeito e rapidamente. O desconforto físico, se é doloroso, ocupa-nos a mente quase por inteiro, facto pouco saudável em todos os sentidos.
Melhorinhas, CC.
A dor continua é de facto muito incapacitante Bea, a que acrescem estes formigueiros e dormências...no meu caso até já melhorou durante o dia mas à noite continua a incomodar muito, fazendo-me lembrar a minha mãe que perguntava amiúde como era possível que assim fosse. Vamos ver, talvez um misto de ciência com poesia resulte:) Obrigada pelo carinho.
Eliminarna dúvida sobre se lhe irá calhar um poeta (a mim calhou :)), porque não se auto medica com essas medidas (e algumas irracionalidades :))? mal não fará...
ResponderEliminaras melhoras, CC!
Ah, ah Ana...porque se fosse fazer caminhadas e leituras todos os dias lá teria que deixar de trabalhar...e como me sustentaria?! Sabemos que só com poesia não resulta, o corpo pede alimento e abrigo...e as termas, oh como são caras, parece que há quem consiga uma receita e assim diminua os custos, quem sabe acerto em alguém que as recomende....beijinhos e obrigada!
EliminarDesculpem meter colher em prato alheio, mas quanto a termas: os médicos em geral não as recomendam; porém, se lhes pedir, não existe um que não as receite, dadas as suas queixas. O mais caro nas termas é a hospedagem e não os tratamentos termais dado serem comparticipados. Não são curativas, mas descontraem. E permitem caminhadas e leitura:).
EliminarJá não é mau que exista comparticipação para os tratamentos mas muitos médicos são tão descrentes quanto aos efeitos que se recusam. Mas acredito que o bem estar é algo global e que tudo o influencia, até o ar que respiramos. Aqui não há colher em prato alheio:))) (nem conhecia a expressão)
EliminarBem vinda (infelizmente) ao grupo do Voltaren. Já tomou a decisão?Apareceu-me aos trinta; bem forte, insuportável, espada a entrar nos costas, companhia de dias e semanas incapacitante. Tentei tudo, acupuntura, osteopata, endireita, quiroprata.
ResponderEliminarPerguntei-lhe a ela e se fosse consigo, olhou-me com espanto, insisti no olhar, disse por fim que ia pelos paliativos... enquanto pudesse. Amém.
PS: Ao longo dos anos aprendi posturas. Importantíssimo. As crises (uma ou duas ano, suportam-se. E o comprimidinho vermelho anda sempre comigo!
Pois, conheço-os, quinze dias a tomá-los sim...mas agora tenho uma outra medicação que é para aumentar gradualmente e com ela já consigo usar apenas o paracetamol...parece que o contra (e já o sinto) é deixar a pessoa mais lenta e algo tonta...mais lenta até me fará bem, mas tonta...ainda mais?! :))). Posturas sim, mas como evitar as horas e horas ao computador? Não sei, não posso ainda, é metade do meu trabalho. Quer dizer que não o ameaçaram com o bisturi? Ora ainda bem, na verdade tenho bem receio dele, já tive uma bela dose, chegava. Obrigada pela partilha, sempre bom sabermos que na tormenta não estamos sós.
EliminarA poesia não cura, não salva o mundo, não transforma a noite em dia, não proteje os pobres, não penaliza os ricos, etc., etc. A poesia só serve para os poetas e para os que gostam, habitualmente, de poesia.
ResponderEliminarUm abraço.
Cura um bocadinho sim, acredito. E ergue e dá força. Veja o papel que as artes desempenharam em tempos difíceis e situações complexas, a poesia não é diferente da música ou de qualquer outra arte, é também um meio de luta individual e coletivo. As canções de resistência estão cheias de poesia.
EliminarNão é apenas de pão que a mulher vive, também da poesia.
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