quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Da Botânica da paixão e do amor (II)

 

Há amor que nasce sem paixão.

Os nossos amigos são como um tapete de malmequeres, uma rede de apoio e conforto. Por vezes não conseguimos destacar nenhum deles. Mas por vezes há alguém que se evidencia. Aproxima-se mais, passamos mais tempo, sentimos que precisamos mais. Dessa necessidade maior, surge aqui e ali um toque mais prolongado, uma pele que parece precisar da outra, é uma mão que se dá, um abraço que se aperta e sentimos o corpo do outro. Às vezes duvidamos, hesitamos, temos medo de estragar aquela amizade. Mas aquele malmequer já não é igual, ganhou outra cor. E já não podemos mais ignorá-lo. Não houve paixão mas a transformação da amizade em amor. E o desejo chega com uma roupagem diferente da paixão, vem com a luz das coisas conhecidas, não com a incandescência das desconhecidas. Há amor sem incêndio, há amor que é lume e fica muito tempo a arder até termos a certeza que aquela temperatura é boa, é a do clima ameno das ilhas.

E se não correr bem, pode ficar menos um malmequer no nossa verde manta, isso pode custar, mas também custa não arriscar.

~CC~



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