segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Conversas pequeninas (I)

 

O mar não é o mesmo, não tem o mesmo cheiro, o mesmo murmurar, tão pouco a mesma cor ou a mesma ondulação, não são os mesmos peixes, nem as mesmas conchas que dão à costa. Em cada lugar em que o sinto, sinto-me também diferente ao pé dele. 

Conversei com ele um pouco mais a sul e um pouco mais a norte. Nem num, nem no outro consegui mergulhar. Mas respirei-o e disse-lhe que não se esqueça de mim, agora que voltarei menos vezes, não rareio por falta de amor mas por não ter encontrado (ainda) a forma de o viver em pleno. 

Antecipo saudades. Venha, contudo, a chuva.

~CC~






2 comentários:

  1. A chuva terá de vir. Já chegou de mansinho e fez umas poças pequeninas. Mas ainda há calor. E as folhas em involução, estão - na maioria - presas na árvore; também elas, as caducas, se hão-de libertar total e naturalmente. Assim nós.
    O mar é um infinito sempre em espera. Com mais ou menos colorido, o mesmo ou o outro de si. É ele. E não lhe chegamos aos calcanhares:). Podem repetir-se ps olhares ou serem outros olhos a mirá-lo; é perfeitamente indiferente a mirones.
    Boa semana, CC.

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  2. O mar muda em cada lugar, mas a ligação que temos com ele fica. E mesmo quando a vida nos faz estar mais longe, há coisas que continuam a respirar dentro de nós. Que a chuva venha, mas que nunca leve o mar das saudades.
    Abraço

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