terça-feira, 28 de abril de 2026

Roubam-me Maio

 


Se por acaso Maio me calar, não é pelo pólen que me invadiu os olhos e o nariz, pelo sabor dos morangos ou pelo apelo a entrar por dentro do verde num passeio sem fim. É apenas por ser o mês mais intenso de trabalho ao longo de todo o ano, é um paradoxo que assim seja, uma antítese à poética do mais belo dos meses, um teste à minha paciência, um tormento que tento aligeirar com a promessa que virá Junho e depois Julho e em Agosto o corpo se entregará a qualquer dormência que o chame.

Para cortar o lamento desta difícil coexistência do chamamento das flores com a labuta do computador, penso em coisas risíveis, minimamente divertidas. Hoje lembrei-me dessa senhora chamada Agatha Christie. Dizia ela que toda a mulher devia ser casada com um arqueólogo, pois eles apreciam-nos cada vez mais à medida que envelhecemos. E ela sabia do que falava, que sabedora.

Preciso de rir para esquecer que me irão roubar Maio. 

~CC~


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