quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Sociologia de praia


Ontem a minha filha fez-me uma pergunta difícil: mãe, esta praia é de ricos, não é? Porque perguntas? O que vês?

Seguiu-se o retrato sociológico desta praia e daquela em que tínhamos estado no dia anterior. Ela começou: as mulheres usam mais fato de banho e até as crianças...depois comparou essa regra com a de uma família que ela conhecia em que as meninas só foram autorizadas a mudar para biquíni aos catorze anos. Reparámos depois em conjunto no novo transporte para a praia: a reinvenção dos antigos carrinhos de compras para transporte das toalhas e afins, em geral de outras cores, com bolinhas e riscas. Estes carrinhos não raro combinam com os fatos de banho das mulheres e das jovens, têm um tom ou um padrão que mostra que se identifica ali uma estética que vai do chapéu de sol ao tom do bronzeado. As toalhas de banho também fazem toda a diferença, os turcos estão fora de moda substituídos por outras texturas, quanto muito o turco está de um lado e do outro pano bonito com cores de Verão. Há pares de homens e de mulheres a conversar junto  orla do mar, conversam de pé e em tom baixo, raramente se ouvem gritos ou conflitos domésticos trazidos para o areal. É uma praia em que as bolas de Berlim custam vinte cêntimos a mais.

Sobre a praia de ontem já sei quase tudo. Conheço o homem gordo que fala muito alto, as duas mulheres quase velhas que dão a volta à família e aos cozinhados numa tagarelice sem descanso durante mais de duas horas, os rapazes que enfiam uma asneira dita a cada bola enviada. Os chapéus de sol foram comprados nos chineses e ninguém se rala com a qualidade das toalhas. Não vejo o Mário, vendedor planetário desde final de Junho, eram dele as melhores rimas a vender bolas de berlim de praia. Há ruído, conflito, às vezes não consigo ler. 

As praias, meus amigos, como quase tudo o resto, estão longe de ser todas iguais.

Só os sorrisos são mais ou menos os mesmos no quente mar de Agosto Algarvio: a água está tão boa!

~CC~


5 comentários:

  1. Nem as praias escapam...
    Um abraço e boa praia.:)

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  2. Acho que nem os sorrisos, CC. Está a ser amável.

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  3. Deep, sem dúvida...se calhar nem uma simples esplanada :)

    Maria...concordo, só que nem sempre os vejo de perto!

    Carlos :)

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