domingo, 12 de abril de 2026

Passeio de Domingo (IV)

 

Às vezes o vento sopra com excessiva intensidade, o trabalho pesa sobre a mesa e os ténis ficam arrumados, sem possibilidade de uso. A vontade de ir mais longe guarda-se para depois.

Sobra-nos o passeio nos lugares que já vimos, se possível com olhos que nunca usámos. Fica-nos assim a rua próxima de casa, a avenida central da nossa cidade, as árvores cujo nome conhecemos, as esculturas que já não são novas, as portas e as janelas das casas que um dia descobrimos que eram belas.

E apesar da falta de novidade, da ausência da emoção que acompanha o desconhecido, da certeza de não termos o deslumbramento para onde nos levam os novos caminhos, percebemos que é bom ver o que já vimos, gostar do que já gostámos, olhar para o que já olhámos. E mesmo no já visto encontramos o encanto das coisas exploradas, que por o serem, são também muito nossas, como se parte do nosso próprio corpo.

Foi assim esta semana, apenas a Avenida, a grande avenida que existe na minha cidade. E lembrei-me do Rui Veloso. 

E a vossa avenida, como é? Guardem para ela um Domingo em que não possam ir mais longe.

~CC~








7 comentários:

  1. Mesmo sem avenida suponho que todos nós temos algum sentir benévolo em relação ao cenário habitual; pode até ser do mais desinteressante, mas sabê-lo de cor situa-nos.
    Como eu gosto desse tempo em que o Tê e Rui Veloso faziam par! Talvez tenha sido também o meu tempo, quase todas as canções me acompanharam os anos, são aliadas e marcos pessoais.

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  2. Sim, o duo criou canções que ficam para sempre. Aprecio as menos conhecidas porque as outras de tanto passarem nas rádios, acabaram por saturar. Mas há pérolas escondidas. Boa semana Bea.

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  3. A minha avenida é a Königsallee ou simplesmente "Kö" que é um ícone.
    É fácil entender por que ela é considerada uma das avenidas mais luxuosas do mundo. Caminhar por lá, especialmente com o canal central e as árvores antigas, dá um clima único a Düsseldorf. É aquele tipo de lugar onde o contraste entre a arquitetura histórica e as vitrines de alta costura sempre chama a atenção.

    O Rui Veloso é o eterno "Pai do Rock" português e tem uma ligação umbilical ao Porto — a minha cidade invicta. As letras dele e do Carlos Tê conseguem captar aquela alma tripeira como poucos.

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    1. Que bom ter uma avenida sua, a descrição faz lembrar a Avenida da Liberdade em Lisboa. Vozes do Porto sem dúvida...mas o Rui também se apaixonou por Sintra e por Porto Covo:)

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  4. Como sabe, gosto da sua cidade, de lá ir almoçar ou em trânsito para as praias ou em simples passeio sem objetivo firme. E essa avenida é ponto obrigatório de paragem.

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    1. Infelizmente o estacionamento pago afasta muita gente, embora seja comum em todas as cidades a baixa ser paga, os setubalenses não se habituam e creio que foi uma das razões para a anterior autarquia ter sido tão penalizada. Mas o Joaquim também terá perto de si uma avenida, um lugar onde espraiar o seu olhar, um espaço ao qual estará ligado...ou não?

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  5. Pois eu já não encontro nada de interesse nesta cidade onde moro há vinte anos, mais ainda pela destruição que a autarquia tem feito no parque da cidade com as suas iniciativas de massas... até um circo já meteu lá dentro e as esculturas servem para encostar cartazes a anunciar os sítios dos petiscos. Um desastre.
    Um abraço.

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