Hoje, um estudante, numa troca de mensagens, acabou a sua comunicação com um "ah, ah, veja se descansa". Não faz o estilo bom aluno, é reservado, às vezes parece não estar lá, e vive num mundo muito particular, do qual sai com esforço para interagir connosco, mas quando o faz é normalmente acertado, e muitas vezes até contesta as coisas. Achei, por isso, muita graça que ele terminasse a comunicação comigo assim, não apenas pela audácia mas pelo conhecimento que parece ter revelado sobre um momento muito particular da minha vida.
É difícil explicar-vos porque é difícil explicar a mim própria, hesito em dar nome ao que se tem atravessado dentro de mim. Numa visão optimista, considero que é apenas o cansaço do final de um ano letivo, numa visão pessimista tendo a pensar que há algo mais. Às vezes tento a explicação do cansaço pela biologia, devo estar com uma anemia como aqui há alguns anos em que mal conseguia subir uma escada, mas depois acho que não é, ou não é apenas. Aconteceu-me no outro dia algo absolutamente estranho, estavam muitas pessoas sentadas à mesa, muito animadas e a falar e a opinar pelos cotovelos. E eu não conseguia dizer nada, não conseguia que me saísse da boca uma única palavra, como se de repente tivesse ficado muda. E só desejava que todos se calassem para eu poder ouvir os pássaros. Levantei-me e fui até um sítio em que não podia ouvir a voz humana, fiquei lá um bom bocado, mas não completamente tranquila, com receio que viessem à minha procura. Era outra vez a adolescente que se escondia do mundo, como era isso possível?! Eu, em geral, costumo descrever-me como alguém que gosta muito de pessoas, achava mesmo que era o traço mais consistente da minha personalidade.
Sou neste momento um liquido com demasiado sal e/ou demasiado açúcar, a densidade do que em mim circula está a fazer-me implodir, não consigo conter mais informação, mesmo quando ela é boa e preciosa, necessito de uma espécie de purga para voltar a ser água límpida, transparente. Acontecem coisas demais ou sou eu que as faço acontecer em excesso. Se calhar é de mim própria que estou cansada e tenho que largar a pele como fazem os bichos.
~CC~
Viva CCF, uma maneira de mudar a pele ou fazer a purga é escrever. As coisas mais difícei escrevê-las num caderno à mão, só para si como um diário. Voltar ao texto e melhorar, clarificar, rasurar, dar forma ao seu sentimento.
ResponderEliminarCumprimentos
Escrevi muito nesses caderninhos, talvez até aos 30...depois, só voltei ao blogue. Por vezes escrevo e não publico, quando sinto que é só para mim que deve ficar. Mas a partilha também faz bem, é uma oportunidade para ouvir outros, como foi agora o seu caso. A mim, a escrita sempre me fez bem. Mas por vezes até as palavras secam. Obrigada pelas sugestões.
EliminarDê cá a mão CC. Talvez não sirva de nada. Mas largar a pele também não é possível. Impossível por impossível, vai-se melhor de mão dada.
ResponderEliminarUm abraço
Dou-lhe a mão com muito gosto! Quem sabe a pares se consegue impossíveis:)))
EliminarOusado esse estudante, no tempo da nossa juventude não nos podíamos dar a essas "liberdades".
ResponderEliminarA idade vai fazendo com que prestemos mais atenção a nós próprios e, é frequente, encontrarmos motivo de preocupação. É só cansaço, a "máquina" já não é o que era.
Um abraço.
Eu frequentei diversos tipos de faculdades, nem todas eram iguais nisso, mas aqui há uma relação próxima, comigo demora sempre um tempo, preciso que o façam no âmbito de uma relação que é profissional e se sinto que existe esse respeito não me incomoda. Mas há de tudo, professores que fazem dos alunos grandes amigos e até ficam para a vida, comigo isso sempre foi raro, talvez um ou outro que depois se tornou colega. Espero que seja como diz, a só máquina a precisar de óleo. Um abraço
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