Pratiquei com tanta alegria a capacidade de não me deixar condicionar pela pilha de coisas em atraso que às vezes me arrisco a pensar que estou em processo de mudança de personalidade. Conseguirei deixar para trás o meu peso formiga? É verdade que mal abri a porta de casa, impôs-se a pergunta: como é que vou recuperar durante a semana todo o trabalho que não fiz no fim de semana? Mas ao mesmo tempo perdoei-me porque não é justo ter que pensar assim, ter que sentir tanto aperto no peito já lá vão tantos anos.
Juntei sábado e domingo como uma coisa só, destinada a viver de manhã à noite o gosto da Primavera, dos amigos, das artes. Sinto em mim o cheiro do campo, é como se toda a serra de Montejunto se tivesse impregnado com a sua beleza dentro dos meus olhos. De serra em serra talvez ainda consiga perder o medo das alturas, o medo dos planos inclinados.
O conselho desta semana é assim muito simples. Sabe onde moram os seus amigos? Procure-os, passeie com eles, abrace-os, faça-lhes perguntas que revelem o seu interesse por eles, deixe também que eles perguntem. Peça que lhe mostrem os lugares deles, os que tratam pelo nome. Foi assim que fui ver representar uma amiga que faz teatro amador numa cidade que não pisava há muitos anos. E já tinha sido cidade abrigo para mim logo no inicio da minha carreira.
Tanta é a luz que mora nas noites quentes.
~CC~



