Este ano vi bons e menos bons filmes em ciclos de cinema ao ar livre que muitas cidades, mercê desses maravilhosos cineclubes que no tempo resistiram, ajudaram a criar.
Mas o mais comovente acabou por acontecer no escurinho caseiro. Primeiro apenas vislumbrei uma Fanny Ardant na RTP 2, bastante mais velha, mas tão bela ainda. Como sempre gostei muito dela, guardei o nome do filme: Jovens Amantes. Não fui ver a sinopse e ainda bem, só agora a procurei e é tão banal, talvez não tivesse procurado ver o filme se a tivesse lido. Se não conseguirem ver na RTP 2, poderão encontrá-lo na RTP Play.
O título, não sei se igual em francês, ilumina tudo. Todo o amor é sempre jovem, independentemente da idade de cada um dos protagonistas, de ambos ou se têm idades muito diferentes. E é jovem porque implica uma coragem para saltar barreiras e medos, tudo o que aprendemos a reter com a idade, a barricar-nos, a não nos deixarmos ir, a não nos deixar surpreender. Compreensível o cansaço, o medo da doença, a repugnância do próprio corpo, a falta de paciência, com a idade já nada nos parece apaixonar, não há borboletas que acordem dentro de nós e, mal pretendem esvoaçar, tentamos afugentá-las. Na pressa de apagar o incêndio, apagamos o fogo.
A protagonista deslumbra-se de tal modo que não resiste a ir, que brilho ganham os seus olhos negros. Mas volta depressa atrás quando o corpo lhe mostra a idade que tem e a doença que está já a dar sinais. Está ali, contudo, um homem que sabe cuidar, que quer cuidar, que sempre cuidou de tudo e de todos. E diz-lhe que enquanto estão vivos respiram o mesmo ar e isso é tudo o que importa, não o que virá depois. Para uma mulher bela, um homem belo, é isto que é deslumbrante no filme, não conseguimos escolher de qual deles gostamos mais.
~CC~
