Desde que Bauman lançou o livro "O amor líquido", instalou-se, com alguma clareza, a similitude entre a sociedade de consumo e o modo como se encaram na modernidade as relações afetivas, vulgo consumir o produto até haver produto melhor. Escuto os mais criativos nomes para essas relações, há quem lhes chame leves, coloridas, descomprometidas, voláteis, nomes até bonitos para outros que possam soar mais feios.
E, contudo, a mim só me parecem nomes para colocar a uma coisa: não há amor.
Quem ama sabe da cola que une, do abraço que protege, do desejo que assoma à pele, da vontade do outro que é semelhante à fome que nunca se sacia completamente. Sabe que o amor é uma prisão mas não é aprisionar o outro, é querê-lo livre perto de nós.
Prefiro os que amam, os que sabem que o amor acaba, os que sofrem porque o amor acaba, os que esperam que o amor volte, os que desistem do amor, os que não querem amar, os que querem amar.
Só os seres generosos amam e eu amo os seres generosos.
~CC~



