Rua da Índia, 76
nesta rua da minha infância aprendi a voar, nunca vou deixar que me cortem as asas
domingo, 15 de março de 2026
Musiquinha de Domingo (XVI)
quinta-feira, 12 de março de 2026
Quando tu chegaste
Logo ao primeiro olhar, quando tu chegaste, o mundo ficou diferente ou então fui eu própria que ganhei outros olhos. Mas pouco a pouco é que se foi transformando mais e mais, quase a ponto de não o reconhecer ou de não me reconhecer.
Dizem que acontece a todas as mães e uma parte de mim tende a concordar e outra a discordar. A parte que é corpo, genes e pele diz que sim; é igual em todas nós mulheres mães. A parte que é cérebro, coração, situação, diz que não; somos todas diferentes e que cada uma reage de um modo muito próprio, fruto também da sua circunstância. Não tenho, por exemplo, a certeza que a minha mãe me tenha amado, como eu te amei, assim ao primeiro olhar.
E agora, que já lá vão mil bilhões de olhares, ainda me surpreendo com o amor que te tenho, agora transformado em coisa de gente grande.
~CC~
domingo, 8 de março de 2026
Musiquinha de Domingo (XV)
Tenho uma grande admiração por esta mulher e o documentário sobre a vida dela foi das coisas mais bonitas que vi no cinema.
Hoje com acompanhamento da crónica de Lobo Antunes na revista Visão (cujos trabalhadores andam na luta para ver se não acaba).
As mulheres têm os fios desligados.
sábado, 7 de março de 2026
Continuo a pasmar com as sombras do mundo
- Mãe, compra-me este brinquedo.
- Não, tens muita coisa e não brincas com tudo.
- Já não sou teu fã! Ouviste?! Já não sou teu fã!
A criança teria talvez uns quatro anos, mas sem dúvida já domina os circuitos de comunicação atuais, traduzidos em números de likes e afins.
A mesma lógica que os presidentes destes países poderosos empregam ao falar da guerra, parece não ser mais do que uma série ou um jogo de computador. Para eles não morre gente, são bonecos. Siga a construção do mega salão de baile.
Como só temos uma vida, erguemos barreiras para que este sofrimento não nos derrube, mas espero que nos indigne sempre, eu continuo a pasmar com as sombras do mundo.
~CC~
quinta-feira, 5 de março de 2026
Podemos adiar para um dia de sol
Sim, podemos adiar o teu aniversário para um dia de sol. Não é bom acordar num dia cinzento e triste. Vou tratar disso. Farás anos logo que o sol esteja disponível, não ainda demasiado quente, com aquela frescura das manhãs primaveris. Os deuses com os quais falei afirmaram ser possível.
Sim, podemos adiar o teu aniversário para um dia sem guerra, ou pelo menos sem guerras conhecidas. Não é bom acordar com o eco, mesmo abstrato de sirenes, o cheiro a queimado nas cidades e inocentes a morrer. Vou tratar disso, contudo, os deuses não me atenderam pela linha habitual, assim que premi o assunto no botão 5, destinado a "outros assuntos" e falei no termo "Guerra", o assistente virtual desligou, não reconheceu a palavra.
Arranjo-te assim mais adiante um dia com sol, papoilas vermelhas a eclodir pelos passeios, o sabor do mar e a ternura que pode correr dentro de um abraço. Coisas simples mas tão boas.
~CC~