quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Manual para pessoas que vivem sozinhas (I)

 

Aí vão os primeiros três conselhos:


1. Não deixes acumular a loiça no lava loiças para além da dimensão do próprio.

2. Não deixes de pôr a mesa e comer com faca e garfo, evita a colher, o prato de sopa e o sofá.

3. Tenta vestir roupa de sair todos os dias, mesmo que mantenhas sempre as pantufas/chinelos.


Querem ajudar? Tentemos chegar às 12.


~CC~

Inspirado no Manual para mulheres de limpeza, de Lucia Berlin.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

As minhas mãos

 

O trabalho intelectual não tem forma, matéria palpável, cor ou cheiro. Angustia-me isso algumas vezes, é um pó que parece desparecer ao primeiro sopro. Tantas horas para isto, um quase nada.

Quereria ter aprendido a fazer coisas com as mãos, ver que elas seriam capazes de arranjar coisas, costurar roupas, fazer bordados, amassar pão, girar a roda de oleiro, arrancar ervas daninhas. Circunscritas ao trabalho doméstico e culinário, como me parecem desaproveitadas.

Antes da pandemia ainda lhes dava uso em pele alheia, usando-as para tocar, afagar e abraçar. Agora cada vez menos. Vai sobrar-me em mãos o que me excede na cabeça.

~CC~

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Da Maldita...

 

Às vezes lembro-me dela, da maldita.

Soube que estava mesmo mal quando a pessoa que profissionalmente mais me detesta me ligou várias vezes. Nunca consegui atender. Se atendesse era para lhe dizer que não ia, nem queria morrer, podia parar de me ligar.

Soube que a doença estava quase vencida quando ela voltou a ser quem era, espetando aqui e ali uma farpa, fechando portas que eu queria abrir, minando caminhos que eu poderia trilhar. Soube então que estava viva, que ia viver mais uns anos.

É verdade que ninguém deseja inimigos e eu também não mas são eles que nos dão sinais inequívocos e precisos deste tipo.

~CC~

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Outros lugares

 

Há os lugares onde o sol se põe, invadindo com a sua beleza o nosso corpo por inteiro. Mas há também lugares virtuais, passamos por lá por saber que existe atrás deles uma pessoa singular, que nos agarra, enriquece, emociona e/ou diverte ou todas essas coisas. Dantes, faziam-se listas dos blogues do ano, coisa que parece ter desaparecido, não que sinta a falta desses prémios, selos ou distinções, sou mesmo avessa a eles. Apenas sinto vontade de lhes agradecer por existirem e lhes pedir desculpa por ainda não os ter colocado ali, junto das outras ruas do meu bairro (o tempo, sempre a fugir para outras prioridades).

Erva Príncipe, da Bea

A Faca não corta o fogo, da Flor

Não mudes nunca, da SJ

Atravessado, do Manel Mau-tempo.

Peregrinatio, de Homo Viator.

Imprecisões, é de um colectivo, mas é a Alexandra a sua alma (só é pena que faça longas ausências).

Têm a delicadeza de nos responder aos comentários e/ou de nos visitar e para mim a reciprocidade e a interacção são importantes, embora respeite quem não a quer ter.

E ultimamente a Linda Blue, mesmo sem comentários e sem visitas, às vezes passava lá, agora passo com regularidade para ver como ela está e verifico mais uma vez que o humor é um dos ingredientes mais importantes da grande e longa batalha, ela usa-o ainda mais e melhor do que aquilo que eu fiz. Quem é que coloca o nome de Natércia a uma peruca?! Só mesmo a Linda que é mesmo linda.

Agora não desapareçam nem mudem todos para o Twiter ou FB ou qualquer outra coisa dessas. É que ainda tenho saudades destes:

Miss Smile

Cuca, a Pirata

O sítio das pequenas coisas

Palmier Encoberto

~CC~


domingo, 9 de janeiro de 2022

Inscrição


 



Poderei ver mil coisas novas e quero vê-las, ainda assim não perderei o amor pelas antigas, pelos lugares inscritos na vida, aqueles a que sempre voltarei.

~CC~