É bom ir longe à procura do desconhecido.
Mas o desconhecido pode morar bem perto. É uma placa de rua que não reparámos mas que esconde o nome de alguém com uma maravilhoso percurso de vida, é uma mesquita escondida atrás de um muro que não a deixava ver, é uma árvore num jardim onde tanto passamos mas que descobrimos é afinal classificada, impossível de abater.
No fim de semana passado o tempo estava instável e o passeio previsto foi anulado. Ainda assim marcámos encontro numa das adegas da Quinta do Anjo, em geral mantêm o nome da casa agrícola da família e têm a marca de muitas gerações. A proprietária é uma mulher notável que estudou engenharia agrícola e esteve na reforma agrária antes de regressar ao seu território, não é pessoa de muitas falas, é preciso puxar-lhe pelas histórias, mas está sempre disponível para acolher uma diversidade de iniciativas. Desta vez era o lançamento de um livro sobre plantas. Mas assim que nos encontrámos, o livro ficou para depois, era ir vê-las, saber-lhes os nomes e as propriedades. Vamos subir aos sepulcros, disseram. Todos pareciam conhecer. E eu nada disse sobre a minha ignorância, pronta para o espanto. Quando passeamos com as pessoas que são do território abrem-se portas, visitam-se quintais, demora-se a cumprimentar este e aquele, fazem-se perguntas, há alguém que sabe uma coisa, outro acrescenta.
E por fim os sepulcros, enormes buracos onde os corpos repousavam no meio de oferendas. Idade do Cobre, taça campaniforme muito em uso na Península Ibérica mas desenho típico de Palmela, como é que não sabia, como é que não tinha nunca reparado?! Mais história dentro da história, mais espanto atrás do espanto.
~CC~


