Bem sei que é estranho acabar em dezanove, normalmente o fim de uma rubrica acerta com um número par. Os passeios de Domingo iniciaram-se com a Primavera e terminam com o estio, este tempo seco e quente que nos amarra a um lugar outro e nos desata das teias que nos prendem aos lugares virtuais. Durmo mal no Verão, em contrapartida leio livros em papel e esqueço-me de quase tudo, deixo-me flutuar. Não sei se virei, se estarei ausente, prefiro deixar-me ir por esse veraneio, como se tivesse uma 125 azul.
Este é oficialmente o último passeio de Domingo, por muito que eu queira refazê-los sempre, até quando a chuva chegar. Mas provavelmente outras vontades acontecerão, talvez música, livros ou cinema, ou apenas estados do corpo ou estadias da alma. É em setembro que tudo recomeça, mesmo que aqui venha antes.
Este passeio de domingo foi um revisitar do que é a família construída, 44 anos de amizade. Para combinar com isso uma praia de família, à moda antiga, com a barraquinha às riscas e o gelado na esplanada (quem adivinha?)
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A garganta rouca do tanto que tínhamos para dizer um ao outro, já não nos víamos há 3 anos. Entre nós nunca houve nada escondido e tudo é esquartejado na mesa de operações, sobretudo as nossas almas doridas e os nossos corpos com esperança de vida. Apontamos os erros um ao outro com sublime cortesia, noutros tempos usávamos a navalha, e somos gentis nos conselhos que damos, na expetativa de que o outro se os seguir cure com sabedoria as feridas que expõe.
~CC~

