Fui ver a árvore bebé Ginko Biloba, cresce vagorosamente e só tem outras espécies próximas de si, nenhuma igual a si. Como as pessoas, se comunica, tem que aprender a comunicar com quem é diferente, uma coisa que entre humanos parece cada vez mais difícil. Falo-lhe, encorajo-a, pouco importa se me ouve ou sabe que ali estou, só me importa o que lhe dou, um bocadinho de atenção e tempo.
Uns dias depois fui à procura da tal rua onde há muitas árvores como ela, irmãs noutra parte da cidade. Não são gigantescas como me disseram, mas bem maiores. É bom ter alguém a quem falar do meu interesse por árvores. Curioso é que estão alinhadas lado a lado árvores macho e árvores fêmea e as fêmeas estavam repletas de frutos, muitos já caídos no chão, enquanto no outro do lado da fila nada havia no chão. Sábio quem o fez, dominava como funcionam as anemófilas. Incrível fenómeno de acasalamento no meio natural, usando o vento, insectos e pássaros como transporte polinizador. O fruto tem um cheiro intenso e pouco agradável, o que o torna pouco apetecível para os animais, por isso estavam ali no chão sem um único carreiro de formigas por perto. O pólen é leve, perde-se a grandes distâncias, mas ali está a acontecer o que a natureza prevê, sem a interferência humana. Estragámos tanta coisa à nossa volta, mas também há pessoas capazes de alinhar árvores daquela forma, alguém que não sei quem é, nunca saberei. Talvez o mundo viva mais de anónimos capazes e talentosos, os que o arruínam tornam-se mais conhecidos, o mal propaga-se de forma muito mais célere do que o bem.
Fui ver a árvore bebé Ginko Biloba, falei-lhe e ela não me respondeu, mas não precisei. Tantas vezes falamos com pessoas e não temos qualquer resposta.
~CC~

