quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Pequenos monstros




Fiquei a olhar os teus cabelos escuros, compridos e encaracolados, e o maravilhoso tom de pele moreno. Achei-te mil vez mais bela que a mais bela loura de olhos azuis. 

Mas se todas fossem iguais a ti, a tua beleza seria banal e vulgar. 

E se todas fossem louras de olhos azuis, o enjoo seria idêntico. Lembrei-me daquela terra em que fiquei maravilhada com a primeira mulher loura, alta, magra e de olhos claros que vi. Depois vi outras tantas e tantas iguais e quando vi a última a minha admiração era já pouca, não por não serem belas mas porque aquela beleza era a única que havia para ver.

Lembrei-me depois da menina gordinha que tenho dentro da família, vitima da mais tonta discriminação que há. Um dia combinaram com ela almoçar na cantina, coisa que ela destestava, mas pensou que com as amigas conseguiria. Mas nenhuma delas apareceu. Sabem, não se esquece uma coisa destas.

Quando aprenderemos que por sermos tão desiguais somos tão interessantes e belos? Falhámos já quantas vezes como humanidade? Quando aprenderemos?

Até quando suportaremos cantilenas que nos diminuem e nos tornam pequenos monstros?

~CC~

6 comentários:

  1. Só até ao momento em que abandonemos o campo, e os deixemos perplexos na sua visão pequenina, tão pequenina, quanto sem valor.

    Boa tarde

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    1. Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar...(Sophia)

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  2. Que é isso de sermos pequenos monstros CC, só nos transformamos se nos deixarmos transformar. Cada um é como é e basta. As amigas da menina gordinha não eram amigas de verdade, suponho eu. Mas há gente assim, há. Não merecem um pensamento dos mais rasos.

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    1. Bea, há pequenos monstros em cada um de nós, mas é preciso conhecê-los e dominá-los, é isso a humanidade.

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  3. Não me apetece falar de racismo, discriminações ou dos Maregas desta vida, prefiro falar de...
    É atraente, mas poucos reunem coragem para falar consigo. Há qualquer coisa de intimidante na sua elegância, uma qualidade fortificada pela espécie de anel-aliança na mão esquerda, que parece desencorajar os estranhos de a abordarem. Fisicamente é para o baixo e roliça, com um rosto suave e pele cor de azeitona. A expressão do rosto é pausada, sedentária, mas felina na maneira como está no seu corpo. Não é tão bonita como exótica, melhor dizendo, possui uma qualquer habilidade para fascinar, um certo ar de auto-suficiência o que dá aos outros a vontade de a observarem. A sua calma exterior é muitas vezes uma máscara para a turbulência interior, levando-a a ficar com um humor sombrio, depressivo, invadida por uma angústia indefinível que a poderá levar à beira das lágrimas.
    Menos divertida que inteligente, possui um apreciável poder analítico. Quanto ao espírito, é radical e imparcial, incansável na paciência, sem inclinação para proferir juízos precipitados ou comentários não fundamentados.
    É uma estudiosa e ligada a temas culturais e causas nobres, uma esfinge com algo de aristocrático, sempre bem vestida, alternando o clássico casual com o desportivo, mas sempre com classe.
    É assim que a vejo...

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    1. Ai Joaquim, se eu me conhecesse podia responder...
      Cor de azeitona, lindo, quanto gostaria...que coisa nunca me ter habituado a usar um anel que fosse, acha que ainda vou a tempo?
      Mas olhe que sou divertida às vezes, mais agora do que antes...isto de uma pessoa vencer a morte torna-nos mais divertidos.
      ~CC~

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