Trabalhar nos cafés fez sempre parte do meu quotidiano, assim como reunir com colegas ou estudantes adultos nos seus processos de pós graduação. Mas ontem o barulho da televisão num qualquer jogo de futebol era ensurdecedor. Contudo, não havia clientes a ver, creio que já toda a gente os acompanha em casa, a não ser que haja promessa de cerveja e festa. A memória mais extraordinária que tenho de uma plateia inebriada de futebol e álcool foi a de uma esplanada em Angola, curiosamente jogava o Benfica.
Ontem o ruído do jogo perturbou-me muito, fiz um grande esforço para me concentrar nos passos de dança que a estudante trazia. As televisões sempre ligadas nos cafés e restaurantes, quase sempre nos piores canais, perturbam-me muito, já os evito ou procuro em função disso.
Quando saí do café para a cidade, atravessei a grande praça. O barulho dos pássaros nas três grandes árvores era também um festim, mas aí soaram-me divinais os diferentes tons e alturas dos seus cantos, uma natureza vibrante que ecoava como vida, como resistência, como caminho.
Escolho, sem dúvida, os pássaros.
~CC~
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