quarta-feira, 18 de março de 2026

Escolho, sem dúvida, os pássaros

 


Trabalhar nos cafés fez sempre parte do meu quotidiano, assim como reunir com colegas ou estudantes adultos nos seus processos de pós graduação. Mas ontem o barulho da televisão num qualquer jogo de futebol era ensurdecedor. Contudo, não havia clientes a ver, creio que já toda a gente os acompanha em casa, a não ser que haja promessa de cerveja e festa. A memória mais extraordinária que tenho de uma plateia inebriada de futebol e álcool foi a de uma esplanada em Angola, curiosamente jogava o Benfica. 

Ontem o ruído do jogo perturbou-me muito, fiz um grande esforço para me concentrar nos passos de dança que a estudante trazia. As televisões sempre ligadas nos cafés e restaurantes, quase sempre nos piores canais, perturbam-me muito, já os evito ou procuro em função disso.

Quando saí do café para a cidade, atravessei a grande praça. O barulho dos pássaros nas três grandes árvores era também um festim, mas aí soaram-me divinais os diferentes tons e alturas dos seus cantos, uma natureza vibrante que ecoava como vida, como resistência, como caminho. 

Escolho, sem dúvida, os pássaros. 

~CC~

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