domingo, 12 de abril de 2026

Passeio de Domingo (IV)

 

Às vezes o vento sopra com excessiva intensidade, o trabalho pesa sobre a mesa e os ténis ficam arrumados, sem possibilidade de uso. A vontade de ir mais longe guarda-se para depois.

Sobra-nos o passeio nos lugares que já vimos, se possível com olhos que nunca usámos. Fica-nos assim a rua próxima de casa, a avenida central da nossa cidade, as árvores cujo nome conhecemos, as esculturas que já não são novas, as portas e as janelas das casas que um dia descobrimos que eram belas.

E apesar da falta de novidade, da ausência da emoção que acompanha o desconhecido, da certeza de não termos o deslumbramento para onde nos levam os novos caminhos, percebemos que é bom ver o que já vimos, gostar do que já gostámos, olhar para o que já olhámos. E mesmo no já visto encontramos o encanto das coisas exploradas, que por o serem, são também muito nossas, como se parte do nosso próprio corpo.

Foi assim esta semana, apenas a Avenida, a grande avenida que existe na minha cidade. E lembrei-me do Rui Veloso. 

E a vossa avenida, como é? Guardem para ela um Domingo em que não possam ir mais longe.

~CC~








Sem comentários:

Enviar um comentário

Passagens