quinta-feira, 16 de abril de 2015

Vem chuva, vem...


Há coisas fáceis que são tão difíceis. Coisas boas que podem ser más. Coisas belas que têm lá dentro um negrume. Não falemos do amor, pois esse é paradigmático disso tudo, um caso sério de tanta alegria e tanta dor. Dizem os do lado do sol que é só a primeira coisa mas os inimigos da perfeição, esse manto de inócuo, sabem que não é real sem chuva. 

Vamos a coisas mais simples.

Estou perante uma coisa boa: um convite para uma comunicação. Dentro desta coisa boa tenho coisas más para dizer, coisas que me doem, coisas que as pessoas não vão gostar de ouvir. Nos meus piores pesadelos elas levantam-se da sala e deixam-me ali, a falar sozinha. Eu saberia dizer coisas simpáticas, coisas boas, coisas que as pessoas adorariam ouvir. Já me aconteceu ser assim, ter na realidade histórias lindas de contar, saber que vou encantar, eu própria encantar-me. Mas desta vez só me ocorrem as coisas duras, difíceis e inquietantes. E eu estou  dentro delas, sou tantas vezes a impossibilidade de mudar a realidade como sou a possibilidade disso acontecer. Tento pensar em soluções para os problemas que vou apontar e ao contrário do que me costuma acontecer: brotam ideias até debaixo das pedras, sinto desta vez um grande vazio.

Deve ser o cansaço, a invasão da realidade.

Só me pode salvar uma boa dose de loucura ou a capacidade de encaixar o festim de tomates que aí vem ou, quanto muito, uns aplausos amarelinhos.

~CC~




quarta-feira, 15 de abril de 2015

As minhas tertúlias


Esta é ainda a parte do meu ofício que me dá gosto, falar com as pessoas num círculo em que há lugar para cada um, em que todos falam, em que as apresentações power point foram banidas, assim como a comunicação de via única (e com isto quero dizer, no formato clássico em que um só fala, os outros só ouvem e deixamos 5 a 10m para questões, em que dada a vontade de sair e tomar um café, as perguntas são quase inexistentes ou há comentários enfadonhos de quem queria ter estado a comunicar).

Esta tertúlia (feita 2 vezes para ser numa sala pequena) não foi fácil, fez-me doer o estômago, afinal foi sobre como é isto de acabar um curso e ser solto no mundo, nos meandros do IEFP, na europa do juventude em acção (há cada história), nos estágios profissionais de 9 meses sem perspectiva de mais...mas nem tudo foi desespero, houve também muita esperança, muitas sugestões partilhadas, muitas vidas desfiadas. Abracei antigos alunos e constato que sei o nome de cada um, não sei como os retive dentro da vertigem em que vivo, mas guardei-os.

~CC~








quarta-feira, 8 de abril de 2015

Apanhar as laranjas e os limões


Outra vez o telefone a tocar. O susto a aterrar nos nossos corações. O luto nem quinze dias tinha, como era possível querer voltar assim. 62 anos de casamento é uma vida, mas não seria preciso segui-lo para lhe provar o quanto gostava dele, bastavam os suspiros que lhe ouvíamos a toda a hora, um não saber onde estar, o que fazer, que rumo seguir. Vi-lhe bem as marcas de desorientação sob a resignação aprendida, o estou bem dito para descansar os outros.

Era morte a mais a rondar-nos. Felizmente ao longo da semana as coisas foram melhorando e a vida foi ganhando pouco a pouco. Este tempo foi sobretudo isso, fazer companhia a alguém só, mais só. Se eu sinto o quintal vazio, a casa silenciosa, imagino o que sentirá ela. É preciso continuar a apanhar as laranjas e os limões, não deixar que apodreçam no chão, fazer com que a vida vingue.

~CC~

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Interesse declarado



Quantas páginas de Facebook valem a pena?

Esta é certamente uma delas :)



Leiam, inscrevam-se nas actividades, apareçam!

~CC~