domingo, 18 de janeiro de 2026

Musiquinha de Domingo (XVII)

 


Imaginem quando foi gravado?!

Quando tínhamos muito medo...e não é que ele volta, pouco a pouco, o bicho papão anda à solta e já não se denomina vírus. A vacina é bem mais difícil de criar.

~CC~




quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Alguns também são poetas

 

Um raio de sol matinal espreitou no meio das nuvens, tornando o céu numa mescla mais bonita de azul e branco.

Creio que uma parte dele entrou dentro das dores persistentes na parte lombar da coluna que há cerca de um mês se decidiram instalar e não me deixam dormir uma noite plena, atrapalham a condução e os dias e até, por vezes, me secam a voz. Não que tenham passado, mas creio que esta promessa de Primavera será um factor fortemente adjuvante da medicação e talvez atenuante do retrato fiel que o instrumento científico trará em breve. Imagino um neurocirurgião que receitará caminhadas, leituras e banhos de mar ou mesmo termas com piscinas de água quente, talvez tocado por aquela pequena dose de magia que faz com que alguns médicos também sejam poetas. Mas há uns que não: olham direito nos olhos, com o bisturi bem perto de entrar na nossa pele, apontando a solução que consideram ser a certa, desprezando a nossa relação com o universo e os factores adjuvantes do clima. 

~CC~



 

domingo, 11 de janeiro de 2026

Musiquinha de Domingo (XVI)

 



"Onde houver amor, o mal não pode acontecer"


(como a Márcia, sempre fui dos pequenos brilhos, nunca dos incandescentes, sempre a sonhar manhãs belas)

~CC~

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

De tirar da própria terra

 

Trata-se de um espaço amplo, uma casa antiga que a autarquia recuperou e abriu ao público, com uma bonita esplanada interior. Duas mulheres entraram com duas jovens, estava eu a tentar beber do pouco sol que o dia tinha. Uma das mulheres apontou a parede pintada de motivos marinhos ao fundo, considerando que era bonita. Mas a outra mulher retorquiu que nada ali tinha grande interesse, que as miúdas queriam era ver lojas. E as jovens riram, abanaram a cabeça em concordância, ao que as mulher retorquiu alegremente: vamos, vamos!

E assim se enchem os centros comerciais e se compram mais e mais coisas das quais pouco ou nada precisamos. E eu que cada vez gosto menos de comprar, até comida, coisa que por muitos anos comprei em abundância e atafulhei o armário, perdoei-me muitas vezes desse excesso pela exiguidade de alimento na infância e na adolescência. Consciente dos meus mecanismos de compensação, fui procurando corrigi-los. Ainda assim não estou curada, quando um recipiente de detergente vai a meio, se não tiver outro comprado, sinto-me desconfortável. Gostava de saber viver com menos ainda e, sobretudo, de tirar da própria terra uma parte do meu alimento.

~CC~

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Guardo todos os meus gestos

 

A minha mão é um pássaro que se quer aninhar no teu cabelo. Mas mal levanta voo percebe que tem que iniciar o trajecto de volta e assim faz, recolhe-se. Sei que me agradeces pelo gesto que queria fazer e não fiz, pelo que não seremos, por todos aqueles que não magoaremos. Não voltemos às lágrimas que um dia conhecemos tão bem nos olhos um do outro. A renúncia do amor é ainda o amor, diz-se é de outra forma, escolho morar com a luz doce dos Invernos amenos, por isso guardo todos os meus gestos que incendeiam. Arrefeço a mão com o gelo destes dias e assim morna ela é já só o carinho que te tenho. Quero-te, ainda assim, por perto, para poder beber do brilho dos teus olhos que tanto tempo esteve oculto, isso basta-me.

~CC~