Penso neste Dezembro que entrou tão atípico, desfeito das minhas poucas rotinas. O grupo dos amigos que não se juntou na aldeia alentejana pois as mortes dos seus entes queridos mais velhos invadiram-lhes a casa e retiraram-lhes a energia para tal. A carga excessiva de trabalho a agigantar-se numa ansiedade colectiva de tudo ter que estar pronto antes que o novo ano entre, calendários de contas que nunca foram os meus e agora se me impõem, acorrentados a projectos e verbas europeias que nos deixam à beira da esquizofrenia. Na maior parte das vezes penso que só queria dar aulas em paz, sem as outras coisas que dobram o tempo que lhes dedico. E os meus olhos cansados nos olhos deles cansados, vejo-nos em espelho e, é talvez nessa simetria, que ainda assim nos compreendemos. A aula acaba e é já noite.
A estrada do Sul por fazer, cada vez mais abandonada, até para a comemoração maior do mês. Este ano, outras latitudes e que esforço foi encontrá-las. Uma família que consegue não naufragar no Natal é, apesar de tudo, grande.
E, contudo, devo dizer, Dezembro é o único mês do ano em que me apetece meio copo de vinho quente com bagas de romã.
~CC~
Depois de ler o seu texto acho que tenho de fazer pêras bêbedas, que é o mais próximo que consigo do vinho tinto. Fazem-me mal, mas dão-me ânimo (e açúcar).
ResponderEliminarA morte dos mais velhos... é já a morte dos que têm a minha idade ou mais novos. Entristeceu-me a morte de Constança Cunha e Sá, jornalista de que sempre gostei e que tem a minha admiração. O mundo empobreceu. Ainda mais.
É cada vez mais verdade: Conservar o natal familiar é proeza grande. Este ano espero que nada perturbe a nossa reunião familiar que será bastante alargada; voltam os filhos pródigos acompanhados de quem escolheram. E isso enche-me de alegria.
Que o seu natal, onde quer que se realize, seja assim, comovida alegria no reencontro.
Boa noite
Gosto dessas pêras, ai gosto:) Estou a ver que será um Natal em grande para si, aproveite bem Bea, o tempo passa num instante...Boa noite
EliminarDezembro traz esse aconchego: o vinho quente com bagas de romã parece combinar calor, doçura e uma pitada de celebração.
ResponderEliminarSim...é uma coisa boa do Natal, essa mescla de cheiros de especiarias...gosto muito.
Eliminarfaço companhia nesse copo :)
ResponderEliminarVamos lá:)))
Eliminardezembro é assim. é o toca a reunir mesmo que seja na distância.
ResponderEliminarigualmente acompanho nessa bebida
Já somos três!
EliminarDevia ser Dezembro sim CC e estava frio, talvez perto do Natal, o grupo de estudo (4) reuniu-se em casa de um e geralmente encomendavamos pizza (ainda não havia uber eats) e o nosso anfitrião aqueceu uma garrafa de vinho tinto junto à lareira. Nunca pensei que um pouco de calor no vinho tinto libertasse os eflúvios de tal ordem e com o efeito na tarde que se seguiu...
ResponderEliminarVinho com pizza?! Não me parece combinar mas...que sei eu. Nunca apreciei grandemente qualquer bebida alcoólica e apenas uma vez pisei o risco e não gostei mesmo nada. Gosto só de bebericar, meio copo está bem.
EliminarQue canseira. Verá como a aposentação é uma maravilhosa vida nova.
ResponderEliminarUm abraço.
Anseio e temo esse tempo. Se pudesse ser devagar em vez de abruptamente, ir despindo, como acontece quando transitamos do Inverno para o Verão mas passamos pela Primavera. Mas este sistema está mesmo mal feito, a única coisa que acontece é aumentar o número de meses para lá chegar. Um abraço
EliminarGostava de provar. Nunca bebi vinho aquecido e ainda por cima com romãs.
ResponderEliminarDezembro é um mês bonito, não sei se nós é que lhe emprestamos essa magia...
Abraço
Olinda
Seremos nós ou a natureza que em parte se despe para que melhor a vejamos. Experimente o vinho, é bom (mas não abuse nem o aqueça demais, é apenas morno).
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