A minha mão é um pássaro que se quer aninhar no teu cabelo. Mas mal levanta voo percebe que tem que iniciar o trajecto de volta e assim faz, recolhe-se. Sei que me agradeces pelo gesto que queria fazer e não fiz, pelo que não seremos, por todos aqueles que não magoaremos. Não voltemos às lágrimas que um dia conhecemos tão bem nos olhos um do outro. A renúncia do amor é ainda o amor, diz-se é de outra forma, escolho morar com a luz doce dos Invernos amenos, por isso guardo todos os meus gestos que incendeiam. Arrefeço a mão com o gelo destes dias e assim morna ela é já só o carinho que te tenho. Quero-te, ainda assim, por perto, para poder beber do brilho dos teus olhos que tanto tempo esteve oculto, isso basta-me.
~CC~
CC na sua versão mais intimista, por isso, o comentário quer-se breve, para que as linhas ocultas do texto possam respirar.
ResponderEliminarBom dia.
Está a anoitecer Joaquim...todas as linhas querem respirar sim.
EliminarSoa a verdade meigamente descrita.
ResponderEliminarÉ o que a idade nos traz, não é?!
EliminarBoa tarde
ResponderEliminarUm texto de enorme delicadeza emocional, onde a renúncia se transforma em cuidado e o amor encontra uma forma silenciosa, mas profundamente luminosa, de permanecer.
Há uma beleza serena neste gesto contido, nesta ternura que escolhe não ferir, e que, ainda assim, continua a amar.
Uma escrita madura, sensível e comovente.
Gostei deveras.
Continuação de um Ano Feliz.
Dia Bom.
Deixo um beijo
:)
Oh, ainda bem que compreendeu tudo tão bem! Um beijo
Eliminaré de excelência guardar todos os gestos.
ResponderEliminartenho pena que muitos se percam pelo caminho, mesmo aqueles que nos deviam acompanhar em todo o sempre.
Compreendo...quando há relação a dois, nenhum se devia perder. Quando não há, guardam-se, ficam cá dentro.
Eliminar