terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Guardo todos os meus gestos

 

A minha mão é um pássaro que se quer aninhar no teu cabelo. Mas mal levanta voo percebe que tem que iniciar o trajecto de volta e assim faz, recolhe-se. Sei que me agradeces pelo gesto que queria fazer e não fiz, pelo que não seremos, por todos aqueles que não magoaremos. Não voltemos às lágrimas que um dia conhecemos tão bem nos olhos um do outro. A renúncia do amor é ainda o amor, diz-se é de outra forma, escolho morar com a luz doce dos Invernos amenos, por isso guardo todos os meus gestos que incendeiam. Arrefeço a mão com o gelo destes dias e assim morna ela é já só o carinho que te tenho. Quero-te, ainda assim, por perto, para poder beber do brilho dos teus olhos que tanto tempo esteve oculto, isso basta-me.

~CC~

8 comentários:

  1. CC na sua versão mais intimista, por isso, o comentário quer-se breve, para que as linhas ocultas do texto possam respirar.
    Bom dia.

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    1. Está a anoitecer Joaquim...todas as linhas querem respirar sim.

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  2. Soa a verdade meigamente descrita.

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  3. Boa tarde
    Um texto de enorme delicadeza emocional, onde a renúncia se transforma em cuidado e o amor encontra uma forma silenciosa, mas profundamente luminosa, de permanecer.
    Há uma beleza serena neste gesto contido, nesta ternura que escolhe não ferir, e que, ainda assim, continua a amar.
    Uma escrita madura, sensível e comovente.
    Gostei deveras.
    Continuação de um Ano Feliz.
    Dia Bom.
    Deixo um beijo
    :)

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    1. Oh, ainda bem que compreendeu tudo tão bem! Um beijo

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  4. é de excelência guardar todos os gestos.
    tenho pena que muitos se percam pelo caminho, mesmo aqueles que nos deviam acompanhar em todo o sempre.

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    1. Compreendo...quando há relação a dois, nenhum se devia perder. Quando não há, guardam-se, ficam cá dentro.

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