domingo, 28 de junho de 2026

Passeio de Domingo (XV)

 

A de Alentejo, A de Alvito.

Todo o cante inteiro, o que ainda nasce na Taberna da Associação.

O Alentejo que ainda não morreu, não cedeu, não se vergou, o que não está intocado mas mexe como um corpo vivo. Uma parte igual, uma parte reinventada, uma vontade tão grande das pessoas em permanecer e fazer renascer, umas que nasceram lá a primeira vez, outras que nasceram lá a segunda vez.

Aprendi tanto sobre o lugar, desde a história, à arqueologia, à comida e ao cante, que poderia encher muitas e muitas páginas, sei que voltarei às palavras que de lá trago pois é demasiada beleza para guardar só para mim. Pensava saborear o vagar mas só provei o pulsar e cheguei exausta do muito que ouvi e vi porque escutar com todos os poros é intenso. Há coisas que parecem uma coisa e depois são outra e segredos que só se sabem quando se priva com quem os quer partilhar. Diria até como legenda para as três fotos que vos deixo: uma gruta não é uma gruta e uma ermida não é uma ermida e alguém que descansa pode não estar a descansar.


 






~CC~

6 comentários:

  1. Os lugares são também - ou sobretudo - as pessoas que os habitam. E o espírito de um lugar só se capta no contacto com elas, não é mesmo, CC? Desconheço Alvito, como desconheço outros lugares deste Alentejo onde nasci pela primeira vez e renasci umas tantas, creio eu que mais pelo incentivo da terra que por vontade própria. Lembro com frequência um filme sobre Mandela e a resposta do capitão da equipa de râguebi (como pretendia ele unir a equipa e lutar contra o preconceito racial): "By exemple". A terra alentejana é o exemplo que serve o meu pé, factor pouco original, deve suceder de forma semelhante para os nascidos nos diferentes pontos do planeta:).
    Gosto desta sua arte meditativa sobre lugares e gentes.
    Bom dia e boa semana, CC.
    A última foto é de beleza comovente.

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    1. Tive muita sorte ao encontrar as pessoas capazes de falar do lugar porque isso me faz sentir por dentro dele. Engraçado que é que apesar de admirar o trabalho feito em Cabrela ainda não senti o mesmo e a vez que estive mais perto foi num almoço no restaurante principal da terra, falando com os proprietários. Ao senhor da última foto pedi autorização para a tirar, fez um leve aceno com a cabeça, passado meia hora ainda lá estava, na mesma posição, sabe contemplar, mesmo sem saber usar a palavra e outros que a sabem, não o conseguem fazer. Resto de boa semana.

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  2. Isso é que vale a pena, ver os lugares que ainda não morreram. Mas o Alentejo vai sendo estrangulado aos poucos.
    Um abraço.

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    1. Falámos muito sobre isso, alugar as terras para o Olival intensivo é lucro para quem as possui e nelas não se enraizou, e há muitos assim. Um abraço

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  3. Que imagens tão a meu gosto.
    Eu que gosto tanto do Alentejo.
    Mas não conheço Alvito e fiquei com vontade de conhecer.
    Parabéns pela partilha.
    Tenha uma semana abençoada com saúde e paz.
    Deixo um beijo.
    :)

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    1. Vale muito a pena, há a toda a rota dos Frescos para fazer...e o Alvito na sua aparente simplicidade esconde coisas muito bonitas, uma delas esta gruta que foi afinal uma pedreira muito antiga, da qual se retirava o calcário para fazer as melhores mós do país. Beijinho

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