Ele disse duas vezes: tem que ser aqueles queques com nozes, a minha mulher só gosta desses...e quando veio embrulhado, repetiu bem alto para todos nós que lhe levava um de surpresa, sorriso na cara: é para a minha mulher.
Tenho para mim que um dos sinais do amor é esse apontar do que o outro gosta e que, quando se esboroa, é como se se perdesse também a memória dos pequenos gestos que podem fazer o outro feliz. Mas nem é preciso que seja amor entre homem e mulher, de forma genérica todo o amor é atenção. Lembro-me do chocolate que a minha mãe gostava mais, de lhe levar várias vezes esse bocadinho de felicidade, enquanto o pode comer.
Na fila do supermercado o senhor, por sinal bem obeso, elogiou a funcionária: cada vez mais elegante! Ela sorriu meio envergonhada, e notando a mulher ao lado dele disse: a sua mulher também está bem. Ao que o homem respondeu: não, ela está cada vez mais gorda! Por mim, teria ali acabado um casamento. Mas há sinais semelhantes, não tão ostensivos, entre muitos casais. A falta constante de atenção, de elogio, de consolo, é isto a morte do amor.
Os gestos que guardamos são estes pequenos, sinais de que o outro nos vê.
~CC~
Cuidado CC, não retire conclusões precipitadas. A reação do parceiro pode ter sido motivada por preocupações genuínas com a saúde da esposa :)
ResponderEliminarBom fim de semana.
Joaquim, não estou mesmo de acordo consigo, o senhor tinha o dobro do peso da senhora sua mulher e ela não abriu a boca para o humilhar em público, questões que envolvem o corpo do outro são quanto muito algo que se devia tratar em privado, entre o casal...muito menos a propósito de um elogio à elegância de outra mulher. Bom resto de Domingo.
ResponderEliminarCC, qualquer que seja o contexto e motivação em que episódios destes aconteçam, tenho para mim a seguinte "teoria": os elogios podem - e devem, muitas vezes - ser em público; já os reparos, devem ser sempre em privado.
ResponderEliminarEste tipo de agressão, que corre mansinho, é altamente destruidor.
Boa semana, CC!
Sim Isabel, concordo consigo. Boa semana para si também!
EliminarCuriosa crónica. Mais real a segunda situação do que a primeira. Na primeira há quem não retribua essas atenções. Na segunda isso é intolerável.
ResponderEliminarUm abraço.
Duas situações que ocorreram no mesmo dia, uma de manhã, outra pelo final da tarde. Concordo que quando se dá também se quer receber mas não é preciso pautar isso como contas de mercearia, nas relações é bom que fluam com alguma liberdade, ao estilo de cada um. Mas dar sem receber, acaba por nos cansar. É verdade que é intolerável, mas vê-se tantas coisas destas entre os casais, não sei como (se) aguentam. Um abraço
Eliminar