Às vezes vejo filmes com uma história algo linear e até expectável mas gosto por um pormenor ou por evidenciar esta ou aquela faceta humana, histórica ou social ou simplesmente pela beleza. África minha não é um filme linear?! É, e no entanto, como não gostar dele?! Também gosto bastante de documentários, quase todos.
Um filme pode ser bom, mas se mostra a violência de forma frontal e óbvia, mesmo que seja no retrato de uma realidade, afasta-me, não sei nem consigo lidar com a agonia que me provoca, ecoa no meu próprio corpo. Sim, fecho os olhos até o pior passar se o filme valer a pena, saio se assim não for.
Mas são os filmes estranhos, poéticos, ambíguos, com finais abertos que me apaixonam. Os que de alguma forma me desconcertam e não têm uma mensagem óbvia, aqueles que me deixam a pensar e ficam muito tempo comigo, levando-me a questionar, a procurar saber mais, ficam a pairar na minha vida muito tempo, sem que saiba explicar inteiramente aquele efeito.
Foi que aconteceu com Amiga Silenciosa. Levei muito tempo a digerir o filme, a pensar nele, pior que isso, a investigar os gerânios e a Ginkgo Biloba, uma das poucas árvores que se reproduz de forma primitiva (ou seja, há um macho e uma fêmea). E não há dúvida, tenho uma pontinha de loucura. Imaginam-me a mapear os exemplares em Portugal?! A procurar o mais perto de mim? A ficar feliz porque existia e depois a procurá-lo num jardim com mais de cinquenta árvores? Como descobri-lo? Como é que alguém vai de árvore em árvore sem que alguém nos estranhe? Confesso que houve uns quantos olhares. E descobri-a, um exemplar na primeira infância da sua vida, atendendo a que pode durar entre 2000 e 3500 anos, ou seja há na terra exemplares que estão cá antes de Jesus Cristo...as folhas em leque são deslumbrantes e vivem todas as estações do ano.
Não contei a história do filme, pois não?! Acho que não a sei contar, a sinopse como sempre é redutora e eu não quero ser como a sinopse.
~CC~



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