quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Abertura do telejornal


Impressionante a abertura do Telejornal, centrada na demissão de Paulo Bento, num dia como hoje, 11 de Setembro, historicamente uma data a ser analisada não só pelo passado mas à luz do que se hoje se vive, Mas isso, que interesse tem?!

~CC~

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Nascer em Setembro



O homem lava as janelas com tanta força, depois senta-se a fumar um cigarro na varanda. É bom ver um homem em trabalhos domésticos de afinco e esforço, seria bom que tivesse mulher em casa e mesmo assim fosse ele fazer brilhar os vidros. Preciso de esperança na humanidade para recomeçar Setembro. E nos homens.

A mulher que leva o homem paraplégico ao café e dá-lhe a beber o café e a água com enorme carinho, nenhuma vergonha, um sorriso embevecido ao olhar para ele. Preciso de acreditar no amor para que seja um bom Setembro.

O homem que preenche os impressos para a emissão do cartão de estudante de ensino superior da minha filha relaciona Setúbal com o choco frito para nos dizer que vimos de boa terra, eu acrescento os tons poéticos, tem serra e mar e rapidamente me lembro de Oviedo para dizer: e bom peixe! Preciso de acreditar que ela e eu, estejamos onde estivermos, vamos continuar a ter este laço forte.

Os colegas riem na primeira reunião de equipa, ninguém se chateia, trazemos sol ainda na pele apesar da chuva que hoje caiu. Este foi um dos Verões mais estranhos da minha vida, um preto e branco difícil de perceber até para mim. Um colega perguntou-me: as férias são mudança, o que mudaste tu? Estranhei pergunta tão profunda em pleno bar, mas respondi: em mim mudou qualquer coisa mas ainda não sei o quê. E é verdade. Preciso de acreditar em mim como pessoa essencialmente feliz para que seja Setembro. 

~CC~

domingo, 7 de setembro de 2014

Quintalão das acácias



Certas partes das cidades estão ocultas. Certas partes da vida ocultas estão. Algumas estão escondidas porque passámos por lá mas não as vimos realmente e precisamos de passar de novo, de olhar, de nos demorar, até de chorar. Outras estão ocultas porque as esconderam de nós, segredos nas cidades, nas famílias, nas vidas. Coisas que se podem desvendar e outras que nunca o serão.

Há um quintalão das acácias em Faro cujas paredes estão pintadas com as sombras das próprias árvores e dos pássaros que por lá passam. Se os lugares guardam as pessoas, então também ficámos registados na memória do lugar, foi o melhor sítio para se estar no festival que ocupou o centro histórico da cidade. Parte do meu tempo foi ocupado a olhar as árvores, tanto tempo contido em altura e magnitude, desenho vasto de ramos e folhas, quando a luz as atravessava, ficava a olhar e a música ficava para segundo plano.

No centro do meu desnorte a tua mão, o teu abraço, os lugares no chão lado a lado, a fingir-nos os miúdos que ainda somos, rir como sabemos rir e entrar na onda, concerto mais pequeno e intimo é outro diálogo com o artista. No centro da minha luta a tua mão, um laço a puxar-me para o melhor de mim.

~CC~


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Auto e heteroterapia



Um dentista não pode curar a sua própria dor de dentes mas compreende-a melhor que ninguém, o mesmo acontece com todos os outros médicos e terapeutas. Essa compreensão que acrescenta uma lucidez maior ao núcleo da dor pode ser ainda mais cruel. Quando a dor não é física mas psicológica e as suas causas se difundiram pelo tempo não tendo no passado mais do que um nó, o psicólogo é em causa própria alguém que sofre duplamente. Poderia entregar essa dor nas mãos de qualquer colega mas é como se soubesse antecipadamente o que o outro lhe vai dizer e por isso diz isso a si mesmo. Não escolhi clínica por não acreditar que uma dor se possa tratar nas quatro paredes de um consultório, hoje acho que tenho disso outra perspectiva, menos ecológica e menos assertiva, menos crítica do divã. 

Tudo é afinal válido na busca que uma pessoa empreende no sentido da sua própria cura, do seu estar bem. Sendo agnóstica já tive vontade de me sentar numa igreja e falar com Deus. Sendo crítica do fechamento psicanalítico já tive vontade de me sentar num divã, sendo contra ansióliticos, antidepressivos e medicamentos para dormir, já os usei em SOS, achando a meditação conversa de enganar meninos e almas fracas, já tive vontade de meditar. E ao mesmo tempo que desejava nunca deixar a felicidade que acho que é o meu desígnio natural, um gosto enorme pela vida, já a achei um fardo imenso do qual não me importava de me livrar, ou desgosto de mim própria, pena de ser quem sou. Estes momentos escuros que se atravessaram no meu caminho algumas vezes, umas com razões precisas e outras com contornos obscuros e muito centrados na infância, ensinaram-me a ser tolerante com os fracos, os deprimidos, os inconstantes, os fóbicos, os loucos. É estranho que encontremos na dor o ensinamento, a compreensão, a plasticidade, mas a empatia constrói-se melhor não só quando entendemos a dor do outro mas quanto a entendemos a partir de dor semelhante. Hoje acho-me mais capaz de abraçar a dor de qualquer outro ser humano.

~CC~







terça-feira, 2 de setembro de 2014

Rosa Albardeira


Mais imagens de uma semana especial, rara como é a rosa albardeira, a crescer em altitude, só para ver sem colher.





Um carvalho tão velho que já era velho no tempo dos mais velhos.




Inventámos paredes novas com as nossas próprias imagens.


Quem já experimentou uma roda de oleiro?



Descobrir onde se inscreve a memória.

 Teares industriais na luta contra a crise que assolou a região e fez fechar nos anos 60 grande parte das fábricas.



E ainda se tece à mão, bem mais devagar, mas com outro amor.


Grutas onde se produzem cogumelos.

Tantas coisas mais...

~CC~

Crédito da reportagem fotográfica de AF. Por necessidade de proteger a imagem das crianças, não colocamos fotos em que aparecem os seus rostos (temos essa autorização apenas para o site da associação).