Vi num pequeno largo três laranjeiras carregadas de laranjas, alinhadas na continuidade umas das outras, formavam um conjunto de verde harmonia. Ao olhá-las senti o aroma da laranja e do limão que acompanham esta quadra, só faltava a canela. Foi a única coisa que me tocou.
Deviam deixar a natureza vestir-se por si própria para festejar o Natal. Ela veste-se sem nós, há laranjas, limões, pinheiros, azevinho, castanheiros, nogueiras, água, neve.
A maior parte dos enfeites de rua são puras aberrações natalícias, como não chamar isso a pacotes de prendas penduradas em candeeiros? Quando há pinheiros naturais nas rotundas, estragam-nos com bolas gigantes brilhantes. Há ainda umas árvores compostas de arame e luzes, uns cilindros enormes que parecem competir entre si para dizer qual é a cidade com a árvore mais alta, deve ter sido uma empresa a vendê-las a todas as câmaras, pois são praticamente iguais. E que dizer das aldeias de natal que são amontados de casinhas com um pai natal e vária mães natal, elas quase sempre de mini saia? As ruas estão cheias de entulho natalício, um carnaval antes de tempo, um desperdício.
Tudo isto fez com que não coloque em minha casa mais do que um apontamento minimalista que este ano ainda nem sequer encontrei. E isto é escrito por alguém que gosta muito do Natal.
~CC~