domingo, 12 de julho de 2026

Passeio de Domingo (XVII)

 

No último dia de estadia em Barcelona, consegui finalmente visitar o mercado mais conhecido da cidade. A variedade e tipologia dos presuntos e dos múltiplos fritos é o seu traço cultural mais original, ilustrando de forma clara que os mercados resistem à globalização, não obstante uma ou duas bancas de frutos secos iguais às que se encontram em todo o lado.

Entrar no mercado da minha cidade é assim viajar por si só na história, metade do espaço é ocupado pelas bancas de peixe e é lá que se respira o que é esta pertença ao lugar. É também prova de que é possível que o deslumbramento não seja uma coisa volátil e exclusiva da primeira vez, que possa acontecer uma e outra vez, sempre que levamos os olhos da alma a passear. Saio com os sacos repletos de beleza e os bolsos mais vazios mas também com um contentamento que estou longe de sentir quando saio de um supermercado. E nem me importo com os dez minutos que esperei porque o vendedor discorreu longamente sobre o tamanho descomunal das cerejas com o casal que estava à minha frente, apenas aguçou a minha vontade de as provar.

Poderão considerar que isto não é bem um passeio, mas se caminho, apanho sol, vejo cores e trago renovação e ainda resisto, isto deve se poder classificar nesta categoria. Perto de vós há certamente um mercado, não o deixem morrer, nem transformar-se num gigantesco recinto de restaurantes e casas de comida de uma cadeia qualquer,  uma coisa é poder comprar-se um acepipe, outra é transformar todos os mercados à imagem do Mercado da Ribeira (uma mostra de bancas de chef promovida por uma revista de Turismo).

~CC~


10 comentários:

  1. Belos passeios, CC. Por que razão não hão-de ser passeios esses que fazemos pelos lugares que nos circundam?! Se deles retirarmos prazer...
    O mercado do Livramento, segundo ouvi dizer, depois de retocado ficou uma maravilha. Na minha terra fez-se um mercado novo, mas não há quem queira vender ali. Os vendedores mais velhos reformaram-se e os jovens fogem todos da aventura agrícola; a banca de peixe morreu com a vendedora. O mercado está às moscas. Mas existem duas peixarias e os proprietários deslocam-se diariamente à lota de Setúbal.
    Não entendo a necessidade de igualar todos os recintos. Sem contar que as peças vendidas nesses mercados de luxo têm preço elevado. Desconheço o de Barcelona. Contudo, reparei que em Espanha as cerejas à venda são de facto maiores que as nossas e se vendem sem o "pé". Não comprei, fiquei sem saber se seriam ao paladar o que foram para os olhos.

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    1. Sim, as cerejas lá são assim, mas não as provei. Estas comprei mesmo no mercado do livramento, tenho tanto receio que também o queiram modificar...acho que o que o salvou estes anos foi o facto da população nunca ter abandonado o mercado, os setubalenses vão...não são apenas os turistas.

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  2. Visitar um mercado de uma grande cidade é uma forma de estar por dentro da riqueza de uma região e das suas ofertas de qualidade.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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    1. É tão bom não é Juvenal...como é o da sua cidade?

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  3. Também eu gosto de mercados e feiras, e sempre que posso é lá que faço as minhas compras semanais. Tal como diz, saio, caminho, vejo gente diferente e trago qualidade e mais importante, produtos portugueses directamente de quem os planta, trata e colhe.

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    1. Também gostava de ir assim, semanalmente...mas a vida ainda não me deixa, nem o estacionamento:)

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  4. Não devemos perder a oportunidade de fruir um momento de beleza... seja ela qual for.
    Um abraço.

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  5. os espaços tantas vezes "vazios" dos hipermercados e outros conglomerados comerciais vieram roubar "espaço" e gente ao "calor" dos tradicionais mercados.
    mas continuo a gostar dos mercados de bancas repletas de produtos viçosos muitas vezes fruto da labuta de pequenos produtores que teimosamente continuam a querer brindar-nos com qualidade

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  6. Pois é, temos que nos esforçar para não os perdermos. Um abraço

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