quarta-feira, 12 de julho de 2017

Menos



Deixei de gostar de praia, dizia o senhor ao amigo, ambos na casa dos sessenta. São várias as pessoas que dizem coisas como esta. É um cansaço que avança pelo corpo e toma de assalto a cabeça. A praia é das primeiras coisas a cortar, o mar, como diriam os algarvios, causa muito quebranto.

Bem pelo contrário, a mãe de 88, quase 89, ligou hoje do cais de Gaia, maravilhada com a vista, uma voz tão de menina que quase lhe podia ver o brilho nos olhos. Mora no Algarve e deslocou-se de comboio com um dos seus filhos, o que mais longe mora (no Brasil).

Achei sempre que seria como ela. Agora não tenho tanta certeza. Mas estou longe da fase de riscar coisas e ainda me encontro a acumular vontades e desejos do que nunca fiz ou do que gostaria de repetir. Contudo, já me encontro na fase de dizer: disto gosto menos ou já gostei mais. De praia no Verão, por exemplo.

~CC~


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Pompa, circunstância e muito vazio.



Até me entusiasmei ao início, há quanto tempo não sou formanda, não volto aos bancos da escola, vamos lá aprender para que não me esgote a mim própria no que já sei. Se há algo de maravilhoso é nos apaixonarmos, seja por uma cidade nova, um livro, uma teoria, uma pessoa....

Mas conclui...

O mundo está tão cheio de copy-paste. De pompa, circunstância e muito vazio. Nada é afinal inteiramente novo e isso não tem nada de mal. O mal é o convencimento de que estão a criar de novo, a ser originais, quando não fizeram mais que reler os clássicos, mastigá-los e dar-lhes outra forma. E claro, um marketing adequado aos novos tempos e um selo da união europeia. E esperteza, muita esperteza, resumida na frase: não digam que isto é um projecto, já ninguém quer ouvir falar de projectos, digam antes que é "um outro olhar". 

Um outro olhar não, um embrulho novo. Até há facetas do embrulho que podem ser engraçadas, mas não se digam mestres, façam antes vénias aos que o são verdadeiramente, digam que beberam neles até ao tutano.

E ainda falta tanto para acabar a semana. A tentar ainda assim aproveitar alguma coisa e testar a minha paciência. 

~CC~

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Pode esperar



Fixo-me na frase que está inscrita como título no meu cinema mais querido: Paris pode esperar.

Já li sobre o filme, talvez o veja, mas isso não é o que importa. O que importa é a essência do título. Um bom programa de vida sem dúvida, não só Paris pode esperar, afinal tudo pode. Para quê andar a correr?! Se andarmos mais devagar, talvez encontremos outras coisas. E se não puderem esperar por nós, talvez não valha a pena ir. Isto não é nenhuma desculpa para aqueles que andam sempre atrasados mas antes um paradigma para aplicarmos na antecipação de qualquer correria.


~CC~

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Esta pele que não muda



Queria mudar tanta coisa e mudei tão pouco.

Quase sem dar conta já estou praticamente submersa em trabalho, até com dificuldade em cumprir a regra de não trabalhar à noite. Dizem-me tantas vezes que estavam à minha espera para isto ou para aquilo ou que a) ou b) sem mim não funcionou que me sinto quase mal por ter estado doente, ausente. Digo-lhes sempre que pode voltar a acontecer. Curiosamente essa falta que grande parte diz sentir (outros, bem pelo contrário) não alimenta o meu ego, até acho que fiz tudo mal, centralizei provavelmente o que não devia ter centralizado, fiz demasiada gente dependente, não formei suficientemente as pessoas para me poderem substituir. Quero que agora seja diferente. 

Contudo, não é fácil. Hoje entrámos na faculdade de letras, na qual uma colega fez a sua formação há mais de trinta anos e ela exclamou: isto mudou tão pouco, quase igual. As instituições são assim, sem dúvida. Mas as pessoas também. Eu não me tinha nessa conta mas apesar de querer muito, parece que mudar uma coisa simples, me requer um esforço equivalente ao de mudar uma montanha. 

Já ando a percorrer o país de lés a lés como antes, com a consciência plena do cansaço que tal me causa, e sem conseguir deixar de o fazer. Até já pensei em fazer coisas modernaças que nos estimulam a mudança de rumo: coaching, por exemplo. Dantes na psicologia tal coisa chamava-se simplesmente aconselhamento ou com um bocadinho mais de gravidade:terapia.

Preservem-se as noites, hoje vou tentar ir ao cinema.

~CC~






sábado, 1 de julho de 2017

Vivi para a ver


Testando os limites, aceitando-os.

Demasiada gente, muito tempo em pé, vento norte, impossível marcar a presença anual no Festival MED em Loulé. Lura e Mayra teriam valido a pena, gosto do calor da música cabo verdiana. Hei-de voltar a ouvi-las, hei-de voltar ao MED.

Medindo os passos com o pedómetro, sempre aquém dos 6.000 recomendados, mas já andei lá perto na passadeira junto ao mar. O corpo vai renascendo, lembra-me uma planta da minha varanda que parece morrer todos os anos mas depois se ergue ténue quando a primavera chega.

Um almoço de sardinhas, salada montanheira e melão. Estás à minha frente e falamos, ainda gosto muito de ti. E sou capaz de comer sardinhas, ainda é possível. Tão bom

A luz do verão. Vivi para a ver.

~CC~