Caminhar é um ingrediente recomendado a par de uma boa dose de proteínas. Não sou uma adepta radical nem caminho desmesuradamente ou sequer em grupo. Vou quando posso, às vezes sozinha, outras com com companhia, mais vezes sozinha. Gostava mais de caminhar em trilhos pelo campo mas isso é mais raro, normalmente vou pela cidade, sempre a caminho do rio, já que a água exerce em mim um fascínio terapêutico.
Esta manhã cruzei-me com muitas pessoas que caminham sem som, ou melhor, com a sua música encaixada nos ouvidos. Uma delas até cantava o que ouvia. Olho-as com estranheza, não sei como será, mas palpita-me que não iria gostar. O que levo destas caminhadas nem é tanto o que vejo, é mais o que oiço. As vozes dos homens do mar no porto, o piar das gaivotas, o som dos aspiradores nos restaurantes, o vento nas folhas, um carro que trava mais vigorosamente, em certos lugares os risos e os gritinhos das crianças. É uma cidade inteira que tem ruído e cujo som dominante muda de lugar para lugar, é como se ao escutá-la pudesse um dia fazer dela um mapa sonoro.
~CC~