sábado, 31 de janeiro de 2026

Os choros de perto ecoam mais alto

 

O cansaço silencia a voz e toma-me o corpo como se fosse um boneco preso entre as suas mãos, não abre um espaço e é preciso a custo escavá-lo para que entre a música. Faltar ao Clube de Leitura quando estava a gostar do livro, custa-me. 

Mais me custa o silêncio das árvores tombadas pelas ruas e jardins, elas que não têm voz para nos apelar. Já as pessoas, a essas ouvimos os choros, os lamentos, os gemidos e ficamos ora tristes, ora inquietos, ora revoltados. Agora é aqui perto que choram, os choros de perto ecoam mais alto, cortam mais o coração.

Esta é uma ténue faixa de terra à beira do mar, a consciência que disso temos é diminuta, estamos tão mais impreparados quanto mais deixarmos crescer as palavras de grandiosidade que insuflam os egos do povo.

Volto a mim para absorver este pequeno risco de sol que entrou agora pela janela, talvez seja o único que vem visitar-me nestes próximos dias. 

~CC~


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