sábado, 31 de janeiro de 2026

Os choros de perto ecoam mais alto

 

O cansaço silencia a voz e toma-me o corpo como se fosse um boneco preso entre as suas mãos, não abre um espaço e é preciso a custo escavá-lo para que entre a música. Faltar ao Clube de Leitura quando estava a gostar do livro, custa-me. 

Mais me custa o silêncio das árvores tombadas pelas ruas e jardins, elas que não têm voz para nos apelar. Já as pessoas, a essas ouvimos os choros, os lamentos, os gemidos e ficamos ora tristes, ora inquietos, ora revoltados. Agora é aqui perto que choram, os choros de perto ecoam mais alto, cortam mais o coração.

Esta é uma ténue faixa de terra à beira do mar, a consciência que disso temos é diminuta, estamos tão mais impreparados quanto mais deixarmos crescer as palavras de grandiosidade que insuflam os egos do povo.

Volto a mim para absorver este pequeno risco de sol que entrou agora pela janela, talvez seja o único que vem visitar-me nestes próximos dias. 

~CC~


9 comentários:

  1. Os deuses revoltam-se, nós somos simples terrenos... agarrados às palavras.
    Um abraço.

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    1. Quase tão vulneráveis à ira da natureza como há uns séculos...onde se gastou o dinheiro? Um abraço

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  2. tive oportunidade de viajar na quarta feira logo de manhã no sentido sul norte até Coimbra e usei a A8, simplesmente desolador.
    é impossível ficar indiferente a visão que nos entra olhos dentro
    a seguir a essa visão dantesca, chega-nos ao ouvido o choro e o grito daqueles que estavam no caminho, sem saberem que era aquele o caminho
    a violência de tudo isto provoca-nos agonia.

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    1. Imagino as pessoas, sobretudo as mais velhas e mais sós, é sempre nelas que o meu coração se contrai, para elas é (ainda) mais pesado. Obrigada por vir contar, também conheço algumas pessoas que lá residem.

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    2. Também vi a paisagem dsoladora na sexta feira, fiz o mesmo percurso pela A8 até Coimbra. Fui ao encontro de Wim Mertens.

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    3. Pelo menos foi a um belo de um encontro!

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  3. Vi mais mobilização nos populares que no governo. Não é hora de palavras, mas de actos. O cenário é sempre, ou quase sempre, igual; repetem-se as cenas. Mas quem tem as suas habitações destelhadas precisa de telhas e do trabalho de telhá-las e não de promessas, acrescendo que teremos mais uma semana de chuva.
    E que dizer de quem viu voar o seu emprego ou os seus haveres de toda uma vida?! Lamento as árvores, mas muito mais lamento as perdas de vida humana, a perda de fábricas, as habitações destruídas, tanta vida de sacrifício virada do avesso. Não sei porquê, mas os castigados parecem-me sempre os mesmos.

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    1. Claro que são! O governo pareceu "aborrecido", mais uma chatice....

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