domingo, 8 de fevereiro de 2026

Musiquinha de Domingo (XXI)

 


Tanto que gosto de Alcácer. Tanto que passeei naquela avenida com amores, amigos, sozinha. Impressionou-me tanto, não julguei possível. Na maior parte das vezes aquele caudal de rio preocupava-me, sempre a descer, às vezes parecia uma ribeira em vez do meu Sado. 

Mulheres de Alcácer, hoje uma das que tem um comércio na Avenida disse: está tudo estragado mas eu estou viva, para a semana haverá bolos. 

Hoje a homenagem possível, em formato de música, ao meu amado sul, olhar perdido em aves e arrozais.

~CC~




4 comentários:

  1. Apesar da chuva miudinha parece que a abstenção não aumentou, portanto a direita moderada, mesmo sem candidato, saiu de casa.
    Domingo de eleições com resultados previsíveis, pouco futebol e chuva, valha-nos a sua música.
    Também gosto de Alcácer, a última vez que lá estive, jantei num daqueles restaurantes junto ao rio...

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    1. A esquerda (im)oderada também saiu de casa, mesmo sem candidato:)
      Tão bonita esta Alcácer que vive eterna no nosso coração, ainda antes de a conhecer já gostava dela por causa desta canção.

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  2. De formas diversas mas não menos intensas, amo Alcácer cidade e esta canção cantada na juventude, tanta vez a deitar uma olhadela a um papel onde a letra incompleta me apelava, ou a inventar palavras que não sabia e que inda hoje me acodem em vez das que tão bem canta Carlos Mendes. É canção de incompletude, ouvi-la sempre repete a nuvem de saudade inexplicável.
    Alcácer é-me sinónimo de tudo que gosto, mas pouco a visito. Não passeei amores, mas ali me desloquei com amigos e irmãos; por lá vive gente que conheço e estimo. Cidade de cal descendo uma colina vagarosa, olhos fixos no Sado. A nitidez atravessa-me no olhar a estação ferroviária que sonho um dia me leve não não sei onde, os melhores destinos não se dizem num mapa. Anualmente a vejo da ponte, uma e outra vez em circuitos contrários, o espírito em início férias. Ah, horas tão ansiadas como curtas! Cruzo-lhe arrozais e cegonhas, pensando em mosquitos doentios e nocturnos só para mantê-la imperfeita e próxima.
    As mulheres de Alcácer são moiras que a vida desencantou e a quem deu talassemia e outros males específicos; fora isso, assemelham-se a todas as outras mulheres que, país fora, regaçam mangas munidas de inquebrantável esperança. Das suas mãos sairá enorme fatia do trabalho de limpeza. Acredito nelas como no verde dos arrozais que hei-de rever em abençoadas horas do estio.
    Bom Dia, CC

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    1. Mesmo, é uma canção que nos traz saudade de sermos jovens, coisa que até nem tenho muito. Voltará a ser verde e azul mas as marcas ficam, assim como as nossas, invisíveis aos olhos mas lá. Boa semana Bea, mais uma de chuva antes de nos agarrarmos ao bocadinho de sol que ansiamos.

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