quinta-feira, 25 de junho de 2026

Tirar apenas metade do mel

 


Hoje, ontem, amanhã, sempre com os que sofrem, dores que estão lá e podiam estar aqui. Sabemos que a terra tem as suas iras, manhas e rugidos, mas nós não queremos saber ou ouvir e por isso colocamo-nos à sua mercê, com habitações em leitos de cheia, falhas sísmicas, falésias e barrancos de terras instáveis. Esgotamo-la e com isso nos vamos esgotando também. O azar existe, mas não é apenas o azar que faz os mortos nas catástrofes, são anos e anos de indiferença e de ganância.

Neste filme lindíssimo, a mulher sabe que só deve tirar metade do mel e deixar a outra metade para que as abelhas se alimentem. 


 


Vivem anos nesse equilíbrio mágico. Mas um dia chega alguém que a querendo imitar não o consegue fazer, não tem a sabedoria ancestral e não ouve quem a tem. Torna-se presa fácil do primeiro comerciante que quer vender mais e mais. E quebra o equilíbrio, destrói a fonte e o recurso e com isso chega a fome, a tristeza. 

Aguentei o frio do terraço (este terraço do Cineteatro S. João arrefece até nas noites mais quentes) para saborear um filme que nem julguei próprio e possível para pessoas que têm medo de abelhas. 

~CC~




4 comentários:

  1. É um filme. Mas traduz uma realidade a que não podemos fugir. A burrice esperta dos seres humanos é confrangedora e desanimante

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    1. Pois é Bea, que fazer com os seres humanos? A espécie mais bela e mais nefasta?!

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  2. Esse é o cinema que vale a pena, mas não chega a todo o lado.
    Um abraço.

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